Marlene Bergamo - 25.mai.26/Folhapress

Roberta Luchsinger afirmou à CNN que pretende fazer delação e não poupará Lula nem Lulinha.
DO REPÓRTERMT
Roberta Luchsinger afirmou à CNN que pode acrescentar informações às investigações e relatou encontros de Lulinha com ministros; equipe do presidente negou os relatos.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal no caso derivado das fraudes do INSS, afirmou que quer fazer uma delação premiada e que não poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
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Em entrevista à CNN Brasil, neste sábado (17), ela acusou o presidente de mentir e classificou como canalha a postura dele ao atacá-la publicamente. Roberta reagiu às declarações em que Lula a chamou de pilantra e a comparou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade”, afirmou à emissora.
A empresária sustentou que tem condições de acrescentar às investigações detalhes sobre conversas e situações que presenciou, além do conteúdo das mensagens apreendidas em seu celular. Ela manifestou a intenção de colaborar formalmente com a Justiça, mas não anunciou um acordo já firmado.
Roberta também relatou ameaças de morte contra ela e suas duas filhas. Segundo a empresária, as agressões se intensificaram depois dos ataques públicos de Lula. Ela afirmou ter defendido o petista durante anos, inclusive quando ele estava preso, e acusou o presidente de tentar atribuir a ela toda a responsabilidade pelos fatos investigados.
Ao abordar a relação com Lulinha, a empresária afirmou que os dois conviviam com frequência e que recebia ministros na casa que alugava em Brasília. Relatou encontros do filho do presidente com integrantes do governo e sua participação em discussões sobre canabidiol.
A entrevistada também alegou que ministros recorriam a ela e a Lulinha para conseguir agendas com Lula ou prioridade para projetos, por meio do então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Roberta afirmou que não recebia por essa ajuda.
Em resposta à CNN, o Ministério da Educação negou discussões ou tratativas com Roberta e Lulinha. O Ministério das Comunicações também negou intermediação de agendas e afirmou que os compromissos com a Presidência sempre foram marcados pelas vias institucionais.
Roberta e Lulinha são investigados por suspeitas de tráfico de influência no governo federal. As apurações surgiram de elementos encontrados na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS. O filho do presidente nega irregularidades.
Em nota encaminhada à CNN após a entrevista, a equipe de comunicação de Lula afirmou que o presidente desconhece os fatos relatados pela empresária. Também negou que ele tenha mantido interlocução com Roberta, recebido demandas dela ou tomado conhecimento das supostas tratativas.
A equipe acrescentou que não existe contrato do governo federal com a empresária e questionou a divulgação das acusações às vésperas do segundo turno. Segundo a manifestação, denúncias sem comprovação podem ser usadas para manipular a opinião pública e interferir na escolha dos eleitores.

















