Reprodução

Kleberton sofreu queimaduras de terceiro grau em cerca de 35% do corpo após um acidente doméstico com um disco de arado
EDUARDA FERNANDES
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
A Justiça autorizou o cumprimento de mandado de busca e apreensão contra o vereador de Várzea Grande Kleberton Feitoza Eustáquio (PSB) no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), onde ele estava internado após sofrer queimaduras graves. O pedido do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) tinha como objetivo apreender o celular do parlamentar, alvo da Operação Cathedra Venalis, deflagrada nessa terça-feira (20), que investiga 13 vereadores de VG e dois de Cuiabá por um esquema de corrupção.
Na investigação, Kleberton é citado por uma testemunha como aliado do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, que teria um acervo de vídeos de vereadores recebendo dinheiro. Segundo o relato, as gravações seriam usadas para pressionar parlamentares a manter apoio político ao grupo.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
O relatório também atribui a Kleberton supostas ameaças à vereadora Rosi Prado. O Gaeco informa ter localizado um boletim de ocorrência no qual ela relatou ter sido chantageada pelo colega com a ameaça de divulgação de vídeos e informações comprometedoras.
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada para apurar suspeitas de corrupção e atuação de uma organização criminosa envolvendo a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Segundo o Ministério Público, a ação mobilizou mais de 200 policiais para o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois da capital.
Acidente com disco de arado
Kleberton sofreu queimaduras de terceiro grau em cerca de 35% do corpo após um acidente doméstico com um disco de arado, usado no preparo de alimentos, na região do Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães. Ele foi encaminhado ao Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do HMC.
Endereço itinerante
A autorização foi concedida pelo juiz Cássio Leite de Barros Netto, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá, em decisão assinada na segunda-feira (19). O magistrado atendeu a um pedido de complementação apresentado pelo Gaeco em 15 de outubro.
Na solicitação, os investigadores explicaram que Kleberton havia sido indicado inicialmente como alvo de “endereço itinerante”. Após obterem informações sobre a internação, pediram autorização expressa para cumprir a busca na enfermaria ou no recinto hospitalar em que ele estivesse.
O Gaeco apontou a “elevada probabilidade de permanência do investigado naquela unidade hospitalar e possível utilização de aparelho celular no recinto hospitalar”. Segundo o órgão, a inclusão do HMC evitaria que a mudança de localização do vereador frustrasse a diligência.
Ao acolher o pedido, o juiz escreveu: “excepcionalmente, AUTORIZO o cumprimento do mandado de busca e apreensão do alvo KLEBERTON FEITOZA EUSTAQUIO também no Hospital Municipal de Cuiabá”. A decisão manteve as demais determinações anteriores e ordenou a expedição de um novo mandado para o parlamentar.
O mandado específico para o hospital também autorizou a extração dos dados de celulares e outras mídias eletrônicas eventualmente recolhidas, incluindo conversas em aplicativos, e-mails, registros de chamadas, fotografias, vídeos e documentos digitais.
Uma petição apresentada pela defesa de Kleberton informa que a ordem foi cumprida no CTQ, “com a apreensão de bens”.


















