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Cuiabá, 08 de Junho de 2026
08 de Junho de 2026

08 de Junho de 2026, 13h:02 - A | A

POLÍTICA / VENDA DE SENTENÇAS

Entenda como desembargador Dirceu dos Santos e deputado Faissal usavam imóveis e transações atípicas para ocultar propina

Operação Gemini apura venda de decisões judiciais envolvendo desembargador, deputado estadual e advogado

DO REPÓRTERMT



O deputado estadual Faissal Calil (PL) é apontado como o “braço direito” do desembargador afastado Dirceu dos Santos em um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A Polícia Federal investiga essa rede de corrupção, baseada no uso de intermediários, transações do mercado imobiliário e fluxos financeiros suspeitos. Tudo seria feito para lavar dinheiro oriundo das vendas de sentenças.

Os desdobramentos foram oficializados por meio da Operação Gemini, deflagrada hoje (8). A ação cumpriu mandados contra o desembargador, o deputado estadual e o advogado Bruno Oliveira Castro.

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Segundo os relatórios da corporação, o desembargador Dirceu dos Santos figurava como o beneficiário final dos pagamentos ilícitos. O advogado Bruno Oliveira Castro é apontado como o intermediador entre os clientes do esquema e o magistrado. Já o parlamentar Faissal Calil é suspeito de atuar na engenharia financeira e imobiliária montada para mascarar a origem do dinheiro.

A apuração indica que os repasses ocorriam por meio da quitação de débitos de familiares do magistrado, aquisição de propriedades e movimentações bancárias operadas por pessoas do círculo íntimo do principal investigado.

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Vínculos com o agronegócio e saques em espécie

O monitoramento financeiro identificou que empresas do setor do agronegócio com litígios pendentes no tribunal realizaram transferências de recursos para os alvos da operação, sem que houvesse qualquer contraprestação comercial que justificasse os pagamentos.

Além disso, o rastreamento bancário localizou mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em dinheiro vivo classificados como atípicos. Diante dos indícios, o Poder Judiciário determinou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático dos suspeitos. Nas buscas e apreensões, os policiais recolheram armamentos, canetas de grife e relógios de luxo da marca Rolex.

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Afastamento e evolução patrimonial

Dirceu dos Santos já cumpria medida de afastamento de suas funções por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em março, a Corregedoria Nacional de Justiça havia reunido elementos que ligavam o magistrado a sentenças suspeitas com o auxílio de terceiros.

O órgão de controle também apontou uma movimentação de R$ 14,6 milhões em um intervalo de cinco anos, montante considerado incompatível com os subsídios declarados pelo desembargador. No ano de 2023, a discrepância entre o crescimento do patrimônio e a receita formal do investigado superou a casa de R$ 1,9 milhão.

Com informações do Metrópoles.

 

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