ANA JÁCOMO
LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), fez um alerta, nessa sexta-feira (5), direcionado às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar na capital. Evangélico da Igreja Assembleia de Deus, ele pediu que as vítimas acionem a polícia imediatamente após perceberem risco de serem vítimas de agressão ou até mesmo feminicídio. A orientação dada por ele é que as mulheres não se prendam ao convívio ou discursos religiosos.
Abilio explicou que a prefeitura atua de forma complementar, uma vez que a investigação criminal e as prisões cabem à Polícia Militar e à Polícia Civil. "São casos de segurança pública. A prefeitura praticamente não entra nesse assunto de segurança pública, que as investigações é com polícia. O que nós fazemos é, através da Secretaria da Mulher, todos os apoios possíveis, todo o amparo possível com suporte, tratamento, acompanhamento tanto da família. A gente está dando aulas de defesa pessoal, de muidas preventivas, em parceria com o Governo do Estado, como o botão de pânico", detalhou.
O prefeito enfatizou que o isolamento doméstico dificulta a ação antecipada do Estado, tornando a denúncia um passo vital para salvar vidas. "Infelizmente, a maioria desses casos acontecem dentro de casa e a gente só vai saber depois de acontecer. O que nós aconselhamos é que você denuncie, não fique guardando para você achando que a pessoa que te agride dentro de casa vai mudar de comportamento e vai ser uma pessoa melhor amanhã. E não se amarre em qualquer questão religiosa. 'Ah, ele é da igreja'. O cara que matou a filha da mulher era da igreja, era coroinha. Então não cai nessa conversa de que o cara tem um papel bonito na igreja, que ele é um cara que vai mudar de comportamento em casa. Se ele agride você em casa, denuncie, chama a polícia. Percebeu que você pode ser vítima, não fique esperando o feminicídio", disparou o prefeito.
Feminicídios e medidas protetivas
Do total de 18 feminicídios registrados neste ano em Mato Grosso, apenas uma vítima possuía medida protetiva. Março foi o mês mais violento do período, com seis assassinatos registrados.
Até agora, as autoridades aplicaram 7.088 medidas protetivas no Estado, número que busca frear a violência que, em 2025, gerou 18.223 pedidos de proteção. As medidas protetivas, previstas na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), são mecanismos fundamentais para garantir segurança às mulheres e permitir que denunciem seus agressores.
Elas podem ser solicitadas independentemente da tipificação penal ou da instauração imediata de inquérito policial, funcionando como forma de conter a violência por meio de restrições ao agressor que, se descumpridas, podem resultar em prisão imediata.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser registrado online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/
Em casos de emergência ou flagrante, a orientação é procurar ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme previsto na Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.
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