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25 de Setembro de 2026

25 de Setembro de 2026, 09h:55 - A | A

POLÍTICA / CONTRATO DE COINCIDÊNCIAS

Empresa que mudou de nome e já foi punida pelo MP fecha acordo de R$ 23 milhões em VG sob fiscalização de alvo de operações

Hoje denominada AFC, empresa recebeu suspensão de seis meses em 2017, quando se chamava Vênus; Gilmar Cardoso, alvo das operações Athena e Iterum, integra a fiscalização do acordo.

RepórterMT

Gestão Flávia Moretti contratou por R$ 23,1 milhões empresa punida pelo MP em 2017; Gilmar Cardoso, alvo das operações Athena e Iterum, integra a fiscalização do contrato.

Gestão Flávia Moretti contratou por R$ 23,1 milhões empresa punida pelo MP em 2017; Gilmar Cardoso, alvo das operações Athena e Iterum, integra a fiscalização do contrato.

DO REPÓRTERMT



A empresa contratada por R$ 23,1 milhões pela gestão da prefeita Flávia Moretti (PL), em Várzea Grande, para instalar e manter infraestrutura de rede de dados já recebeu uma suspensão do Ministério Público de Mato Grosso. Identificada atualmente como AFC Engenharia e Construções Ltda., ela aparece na punição de 2017 com o nome Vênus Engenharia e Tecnologia Ltda. O mesmo CNPJ consta nos dois documentos.

O novo contrato tem entre os fiscais Gilmar de Souza Cardoso, ex-secretário adjunto da Saúde de Cuiabá na gestão Emanuel Pinheiro (MDB). Ele foi alvo das operações Athena e Iterum, que investigaram suspeitas de irregularidades em contratações de informática na capital.

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A penalidade contra a então Vênus foi publicada na página 86 do Diário Oficial estadual de 28 de setembro de 2017. O ato determinou a suspensão da participação em licitações e o impedimento de contratar com o MPMT durante seis meses, com efeitos a partir de 5 de setembro daquele ano.

A medida consta no processo administrativo GEDOC nº 002263-001/2017, e o prazo previsto se encerrava em 2018.

A comparação dos registros comprova a mudança de denominação da pessoa jurídica.

O acordo com Várzea Grande foi assinado em 3 de setembro de 2026 e publicado no Diário Oficial da AMM em 15 de setembro. O Contrato nº 121/2026 estabelece valor global de R$ 23.135.643 e vigência de 12 meses.

O serviço prevê instalação e manutenção de redes lógicas e ópticas, com materiais para interligação de dados e voz. A contratação atende às secretarias de Administração, Assistência Social, Defesa Social, Educação e Saúde.

Gilmar foi indicado pela Secretaria de Administração. O extrato também designa fiscais das demais pastas, de modo que a responsabilidade pelo acompanhamento não está concentrada apenas nele.

Na Operação Athena, uma decisão judicial de setembro de 2024 apontou indícios de irregularidades nos atestos de serviços de informática feitos por Gilmar e outra servidora. A apuração envolvia pagamentos da Empresa Cuiabana de Saúde Pública à Lume Divinum Comércio e Serviços de Informática.

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Segundo a decisão, faltavam, na maioria dos casos, relatórios detalhados que demonstrassem os serviços executados e sustentassem os valores cobrados. O documento registra: “De fato, sequer há a comprovação idônea da prestação dos serviços descritos”. A análise foi feita em fase preliminar e não corresponde a uma condenação.

Em maio de 2026, foi noticiada uma decisão do Superior Tribunal de Justiça que determinou a remessa do inquérito da Athena à Justiça Federal, em razão da origem federal dos recursos investigados. A medida atendeu a um pedido da defesa de Gilmar e tratou da competência para conduzir o caso.

Gilmar também foi alvo da Operação Iterum, deflagrada pela Polícia Federal em outubro de 2023. Conforme investigação noticiada pelo RepórterMT à época, ele teria participado da contratação e das sucessivas prorrogações de um contrato de tecnologia da Saúde de Cuiabá. A PF o apontava como “articulador operacional do esquema”, expressão atribuída à investigação.

As operações dizem respeito a contratações anteriores no município de Cuiabá, durante a gestão do então prefeito Emanuel Pinheiro.

O espaço segue aberto para manifestação das partes.

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