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18 de Setembro de 2026

18 de Setembro de 2026, 14h:07 - A | A

POLÍCIA / SEXO E ARMAS

Missionárias do crime tinham “lista da PCE” e diziam: “Não basta ser bandido, tem que ser preso”

Denúncia do Ministério Público foi recebida contra Rhavenna Barcelos, a mãe, duas irmãs, um primo e Renildo “Velhote”, que está preso há mais de duas décadas.

Reprodução

Missionárias usavam tempo em visitas para fazer rodizio sexual em penitenciaria de Mato Grosso

Missionárias usavam tempo em visitas para fazer rodizio sexual em penitenciaria de Mato Grosso

DO REPÓRTERMT



Conversas extraídas do celular de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida revelaram que integrantes do projeto religioso Resgatando Vidas mantinham uma espécie de “lista” de presos da Penitenciária Central do Estado (PCE) por quem demonstravam interesse sexual.

Os diálogos constam em relatório da Polícia Civil produzido no âmbito da investigação que apurou a suposta utilização do projeto de evangelização para manter contatos com integrantes de facção em Mato Grosso.

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Em conversa registrada no grupo denominado “As Faixa Rosa Evangélica”, Karolina Lopes Padilha afirma: “Eu prefiro um que na PCE do que qualquer um da rocinha”. Logo depois, completa: “Não basta ser bandido tem que ser preso.”

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Na sequência, Wiara Lima Cadore apresenta o que chama de “Minha lista da PCE”, formada pelas iniciais “L / P / R / T”, acrescentando que os nomes estavam “por ordem alfabética”.

Segundo a Polícia Civil, as letras são compatíveis, no contexto da investigação, com Leonardo de Jesus, o “Buchudo”; Pedro Antônio dos Santos, o “Pedrinho/Cotonete”; Renildo da Silva Rios; e Teluan.

A conversa se torna ainda mais explícita quando Karolina faz referência sexual a Pedrinho, conhecido como “Cotonete”: “Não sei onde vc vai sentar pois quem sentará na cabeça do cotonete sou eu.

Reprodução

Pastores do CV Rhavenna Barcelos

Família do crime: Rhavenna, o "Velhote, a mãe dela Orminda, seu primo Rhuan e suas duas irmãs Anatany e Lo Rhuama.

A própria Polícia Civil classificou o trecho como “referência expressa a sexo” e afirmou que o conteúdo, somado às conversas sobre namorados, visitas individualizadas e divisão de presos entre as mulheres, indicaria que os vínculos extrapolavam a atividade religiosa.

O relatório aponta que o grupo de mulheres mantinha relações pessoais e amorosas com presos, tinha acesso a informações internas da PCE e discutia presentes e benefícios fornecidos por detentos.

Wiara, Karolina, Jéssi Mariane e Lais Barbosa não estão entre os seis denunciados pelo Gaeco por organização criminosa e lavagem de dinheiro neste processo. Segundo o Ministério Público, elas haviam sido indiciadas por falso testemunho, cuja situação seria analisada separadamente.

Projeto missionário

O caso é resultado da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em julho. Conforme já mostrou o RepórterMT, as investigações apontaram que integrantes de uma mesma família utilizavam o projeto religioso “Resgatando Vidas” para entrar em unidades prisionais. Segundo a Polícia Civil, o acesso que deveria ser destinado à assistência religiosa teria sido usado para manter contato com presos, transmitir recados e dar suporte a integrantes de uma organização criminosa.

Reprodução

Rhavenna Barcelos de Almeida

Projeto missionário na PCE era fachada para os crimes.

As investigações também identificaram movimentações financeiras atribuídas a integrantes da facção, com utilização de contas de familiares e terceiros, fracionamento de recursos, depósitos e sucessivos repasses. A Polícia Civil apontou ainda indícios de que dinheiro relacionado ao grupo teria custeado viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos.

Rhavenna é apontada na investigação como uma das principais personagens do esquema. Relatório policial mostrou registros dela aos beijos, dentro de uma unidade prisional, com Renildo Silva Rios, o “Velhote”, apontado pela investigação como uma das antigas lideranças da facção em Mato Grosso. Os documentos também registraram troca de presentes, dinheiro e contatos frequentes entre os dois.

Reprodução/Fantástico

Rhavenna Barcelos de Almeida

Rhavenna namorava com dois líderes de facção ao mesmo tempo, segundo o Gaeco.

Outra apuração revelada pelo RepórterMT mostrou que Rhavenna teria recorrido a integrantes da organização criminosa após sua casa ser furtada. Em uma das conversas analisadas pela polícia, um interlocutor informou que integrantes do grupo estavam procurando o suspeito do furto e chegou a enviar a imagem de um homem amarrado.

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O material reunido pelos investigadores também revelou conversas envolvendo integrantes do projeto religioso e presos da Penitenciária Central do Estado (PCE). A Polícia Civil identificou mensagens de teor sexual e afetivo que, segundo os investigadores, indicariam que algumas visitas extrapolavam a atividade religiosa.

Pai de Rhavenna morreu

O pastor Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna e marido de Orminda, também havia sido investigado no caso, mas não foi denunciado pelo Ministério Público porque morreu no dia 5 de setembro. A Justiça determinou que o MP apresente a certidão de óbito para posterior deliberação no processo.

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Reprodução

PASTOR NIVALDO ALMEIDA

Nivaldo de Almeida era pai de Rhavenna e morreu de câncer em Cuiabá.

Já Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Lopes, indiciadas por falso testemunho, não integram o grupo dos seis réus desta ação. Conforme a decisão, o Ministério Público informou que pretende tratar separadamente de eventual acordo de não persecução penal com as quatro.

Rhavenna já teve a prisão preventiva decretada em procedimento cautelar separado. O juiz registrou que eventuais pedidos para revogar ou substituir a prisão deverão ser apresentados naquele processo específico.

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