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Luiz Evaristo Ricci Volpato é investigado pela Polícia Federal por desvio de R$40 milhões do Conselho Federal de Odontologia
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
A defesa do dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato, representada pelo advogado Maurício Magalhães, afirmou que o ex-tesoureiro e diretor financeiro do Conselho Federal de Odontologia (CFO) foi vítima de um golpe articulado pelo então secretário-geral do órgão, Cláudio Yukio Miyake, e um advogado. Volpato foi alvo da Operação Apolônia, deflagrada pela Polícia Federal nessa quinta-feira (17), para investigar supostas irregularidades na aplicação de R$ 40 milhões do CFO na empresa Solstic Capital Investimentos e Participações Ltda., que não tinha autorização do Banco Central ou da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para atuar no mercado financeiro.
Segundo as investigações, o investimento ocorreu entre 2021 e 2024.
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Ao RepórterMT, Maurício Magalhães contou que a aplicação dos recursos foi planejada durante a pandemia da covid-19, quando dentistas enfrentavam dificuldades financeiras após serem obrigados a fechar suas clínicas. A proposta, segundo ele, era criar um fundo de R$ 100 milhões para oferecer empréstimos à categoria, após o Conselho não conseguir a inclusão dos profissionais no Programa Nacional de Apoio a Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), linha de crédito do Governo Federal voltada para o fortalecimento de pequenos negócios.
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“O doutor Luiz Evaristo era a época diretor financeiro do CFO e, na verdade, ele foi vítima de um golpe orquestrado pelo secretário-geral do CFO junto com um advogado desse secretário-geral, seu amigo pessoal, que induziram a todos a fazer a contratação com a empresa Solstic para que fosse feito esse aporte de recursos no valor de R$40 milhões”, disse o advogado.
“Isso é uma questão que veio criada pela pandemia. Os dentistas ficaram obrigados a fechar suas clínicas e não tinha trabalho, não tinha dinheiro e o CFO primeiro tentou com o Governo Federal a inclusão dos dentistas no Pronampe, mas infelizmente não foi possível até porque não tinha mais dinheiro no Pronampe. Então resolveram que iriam fazer esse aporte junto com essa empresa pra criar um fundo maior de R$100 milhões. O CFO ia entrar com R$40 milhões e a empresa com R$60 milhões. E esse fundo seria colocado no BTG Pactual para que o banco fosse o operador dos empréstimos para os dentistas que estavam passando por dificuldades”, acrescentou.
A defesa afirma que o Conselho Federal de Odontologia conseguiu recuperar parte do dinheiro após a morte do proprietário da empresa, que teria cometido suicídio.
“Infelizmente, na verdade, o dono da Solstic se suicidou e o CFO conseguiu recuperar R$8 milhões desse valor”, afirmou.
Agora, tramita na Justiça uma ação de ressarcimento contra a empresa e seus sócios para recuperar o restante.
Operação Apolônia
A Operação Apolônia investiga a aplicação dos R$ 40 milhões do CFO na Solstic Capital, empresa que não possuía autorização do Banco Central ou da CVM para atuar no mercado financeiro.
Ao todo, os agentes da PF cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em Mato Grosso e São Paulo.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos R$ 300 mil em espécie e veículos. Também houve determinação de bloqueio de até R$ 57 milhões em bens e contas dos investigados.
Sobre a operação, o advogado Maurício Magalhães afirmou que é uma ação normal da PF e que na casa do dentista Luiz Evaristo Ricci Volpato só apreenderam o celular e o computador dele.
“Essa operação da Polícia Federal é normal, absolutamente normal. O doutor Luiz Evaristo recebeu em sua casa a Polícia Federal, que fez o seu trabalho com tranquilidade, sem problema nenhum e a Polícia Federal, ao final do trabalho, entendeu que seria necessário recolher o celular pessoal dele e o computador pessoal que ele usa. Só isso. Não teve dinheiro, não teve veículo, não teve joia, nada disso”, contou.
Luiz Evaristo Ricci Volpato é servidor efetivo da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) e recebe o salário bruto mensal de cerca de R$19 mil, de acordo com o Portal da Transparência.
Atualmente, Volpato integra o Conselho Fiscal do Hospital do Câncer de Mato Grosso (HCanMT) como membro titular e foi cedido para atuar na unidade até o dia 31 de julho de 2027, conforme consta no Diário Oficial do Estado.














