Cuiabá, 23 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
23 de Setembro de 2026

27 de Julho de 2018, 14h:52 - A | A

POLÍCIA / ESCÂNDALO DOS GRAMPOS

Coronel Zaqueu chora em audiência; 'eu estou quebrado'

O coronel Zaqueu Barbosa apontado como líder das escutas clandestinas operadas no âmbito da Polícia Militar, tentou adiar o depoimento.

RepórterMT

Coronel Zaqueu Barbosa alegou estar sob efeito de medicação tarja preta.

Coronel Zaqueu Barbosa alegou estar sob efeito de medicação tarja preta.

RAFAEL MACHADO
DA REPORTAGEM



O ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, que é apontado como líder das escutas clandestinas operadas no âmbito da Polícia Militar, chorou ao final de seu depoimento ao falar que está vendendo sua casa para custear os gastos de sua defesa na ação.

Ele prestou depoimento na tarde desta sexta-feira (27), ao juiz Murilo Mesquita, da 11º Vara Militar de Cuiabá. O ex-comandante tentou adiar seu depoimento, nesta sexta-feira (27), alegando que precisaria passar por uma cirurgia, mas o pedido foi negado pelo magistrado.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Zaqueu alegou que adiou uma cirurgia marcada para a quinta-feira (26) e declarou que estava em condições confortáveis na audiência e nem em plenas condições de raciocínio.

“Não tenho nada a dever, mas estou sob efeito de medicamento tarja preta. Pretendo, na medida do possível, responder, mas fico prejudicado a responder os questionamento pois não me sinto confortável sentado e em pé”, declarou.

Também prestam depoimento nesta sexta-feira  coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o coronel Januário Batista; e o cabo Gérson Correa Júnior.

O esquema que ficou conhecido como “Grampolândia Pantaneira” funcionava pela prática de “barriga de aluguel”, interceptando linhas telefônicas de pessoas que não têm relação com crimes, mas que têm os números inseridos em processos de investigação de forma clandestina.

Questionado pelo juiz se as impugnações contra ele são verdadeiras, Zaqueu respondeu que nenhuma.

Sobre como começou o esquema, Zaqueu declarou que os grampos tiveram início para apurar desvios de conduta de policiais militares.

"A estrutura de inteligência sempre existiu e a legislação ampara isso", informou.

A denúncia, de 2014,  era contra a conduta de policiais lotados em Cáceres, que estariam envolvidos com tráfico de drogas.

O Núcleo de Inteligência da PM passou a investigar os policiais e as escutas eram autorizadas pelo juiz de Cáceres.

Zaqueu conta que ganhou uma placa de escutas telefônicas do coronel Celso Barbosa e que consultou a assessoria jurídica da Polícia Militar se poderia ter o equipamento. Ele pediu ao coronel Evandro Lesco, para que cedesse o cabo Gérson Corrêa para analisar a placa de grampos.

Gerson teria avaliado a placa como precária, mas disse que serviria.

O ex-comandante da PM alegou que o cabo afirmava que as escutas eram lícitas.

Os relatórios das interceptações dos policiais, feitas pelo cabo Gerson eram encaminhados para juiz de Cáceres através do e-mail pessoal de Zaqueu. Ele disse que a conta era irrelevante e, por isso, havia emprestado para que Gerson pudesse encaminhar os relatórios.

O coronel alegou que nunca pediu para incluir número de telefone nos pedidos de interceptações.

Ele afirma que caso houvesse pedido teria que ser documentado.

Afirmou que nenhuma outra pessoa havia lhe pedido para colocar os números na lista de interceptação.

Disse que tomou conhecimento dos grampos ilegais quando estava de saída do Comando-geral da PM

Quando o ex-secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, disse que o governador e ele decidiram que Zaqueu deveria deixar o cargo após denúncias de interceptações ilegais. 

 

"Eu disse que não fazia nada de errado", declarou.

O esquema 

Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs. No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada “barriga de aluguel”.

O caso foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Em depoimento encaminhado à Procuradoria-Geral da República, ele afirmou que, naquele ano, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques (PSDB). Zaque alega ainda que levou o assunto ao governador, que ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

Leia mais

Justiça nega suspeição de coronéis e retoma ação penal

TJ retoma ação contra militares envolvidos em esquema após 60 dias

Cabo tenta anular julgamento militar por irregularidades em escolha de juízes

 

 

 

Comente esta notícia

alexandre 30/07/2018

ele me parece correto e trabalhador, criado na escola antiga, por defender a hierarquia e o chefe acabou se complicando..

positivo
0
negativo
0

Carlos 28/07/2018

Taques se abraçou com os mesmos aliados do Silval Barbosa: Mauro Savi, Gilmar Fabris, Domingos Fraga, Max, Nininho, Bahiano Filho, sem contar um réu por desvios de 10 milhões do Rodoanel. Deve ser por está razão que mandou grampearem o MP.

positivo
0
negativo
1

MARIA TAQUARA 27/07/2018

Não entendi a covardia em prestar depoimento. Amparado por leis e regras do Brasil que favorecem quem se envolve em crimes e não o esclarecimento de fatos!

positivo
1
negativo
1

3 comentários