Cuiabá, 18 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
18 de Setembro de 2026

18 de Setembro de 2026, 16h:42 - A | A

POLÍCIA / AGIOTAGEM EM FAMÍLIA

Trio é alvo de operação por fazer empréstimos com juros de até 20% ao mês em Cuiabá; vídeos

Casal e genro são investigados por empréstimos informais e supostas cobranças com ameaças e pressão psicológica; Justiça proibiu os três de continuar atuando com empréstimos a juros.

Reprodução

Operação foi realizada pela PJC na manhã desta sexta-feira (18).

Operação foi realizada pela PJC na manhã desta sexta-feira (18).

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



A Polícia Civil cumpriu hoje (18) mandados contra três integrantes de uma mesma família investigados por um esquema de agiotagem em Cuiabá, com empréstimos informais que chegavam a cobrar juros de 20% ao mês. Durante a Operação Broken Chain, foram apreendidos R$ 9.970 em dinheiro e centenas de documentos, incluindo dezenas de notas promissórias.

Os investigados são um casal, identificado pelas iniciais G.D.O., de 76 anos, e M.I.P.D.L., de 55 anos, além do genro deles, D.L.C., de 29 anos. Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e três ordens de medidas cautelares diferentes da prisão.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

As determinações foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá, a partir de investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon). As buscas ocorreram em uma residência localizada em um condomínio de luxo no bairro Morada dos Nobres e em outro imóvel no Recanto dos Pássaros, na Capital.

Segundo a Polícia Civil, os três são investigados pelos crimes de usura pecuniária, conhecida como agiotagem, e associação criminosa. As penas máximas previstas para os dois crimes, somadas, podem chegar a cinco anos de prisão, além de multa. A Decon também apura a possível ocorrência de outros delitos, como extorsão, diante dos relatos sobre supostas formas intimidatórias de cobrança.

As investigações apontam que os empréstimos eram feitos informalmente e tinham cheques e notas promissórias como garantia. Conforme os relatos recebidos pela polícia, algumas vítimas teriam sido submetidas a ameaças, pressão psicológica e abordagens em suas casas e locais de trabalho para o pagamento das dívidas.

Em um dos casos investigados, uma vítima afirmou ter recebido R$ 5 mil emprestados e pago aproximadamente R$ 8,5 mil. Mesmo assim, posteriormente, teria sido cobrada em mais R$ 14 mil. A investigação também identificou relatos de participação de terceiros nas cobranças e do uso de títulos de crédito em ações judiciais.

Além das buscas, a Justiça proibiu os investigados de manter contato direto ou indireto com vítimas e testemunhas e determinou que permaneçam a pelo menos 200 metros delas. Os três também estão proibidos de exercer qualquer atividade relacionada à oferta, concessão, intermediação, negociação ou cobrança de empréstimos com juros, seja diretamente ou por meio de empresas, terceiros, redes sociais ou aplicativos de mensagens.

Entre os documentos apreendidos estão relações com números e informações de processos judiciais movidos contra pessoas que podem ter sido vítimas de agiotagem. O material será analisado pela Decon para verificar a extensão da atividade investigada e tentar identificar outras possíveis vítimas.

O nome da operação, Broken Chain, significa “corrente quebrada” e, segundo a Polícia Civil, faz referência à intenção de interromper o ciclo de endividamento, dependência e intimidação atribuído à prática investigada.

Veja vídeos

eia mais - Justiça mantém prisão domiciliar de policial penal indiciada por atirar em entregador em Cuiabá

Comente esta notícia