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30 de Outubro de 2026

13 de Março de 2026, 14h:33 - A | A

POLÍCIA / ESCÂNDALO EM SORRISO

Bruno França é exonerado do comando de delegacia onde presa foi estuprada por policial

Bruno estava à frente do comando da delegacia, que ganhou destaque nos últimos meses após a denúncia de estupro cometido pelo investigador Manoel Batista da Silva contra uma detenta.

Reprodução

Bruno França deixa o cargo após publicação no Diário Oficial do Estado.

Bruno França deixa o cargo após publicação no Diário Oficial do Estado.

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



O policial civil Bruno França foi exonerado do cargo de delegado titular da Delegacia de Sorriso (397 km de Cuiabá), em Mato Grosso. O ato foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado de Mato Grosso (DOE-MT) dessa quinta-feira (12), que não explica o motivo da destituição do comandante da unidade.

Bruno estava à frente do comando da delegacia, que ganhou destaque nos últimos meses após a denúncia de estupro cometido pelo investigador Manoel Batista da Silva contra uma detenta. O caso teve diversos desdobramentos, incluindo mensagens e áudios interceptados de um suposto grupo de policiais, no Whatsapp, que contribuíram para agravar a situação na unidade, e até ameaças relatadas por uma delegada que comentou o caso em suas redes sociais.

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Estupro na cela

Conforme consta no processo, a prisioneira foi retirada da cela várias vezes durante o período em que estava presa e levada para uma sala reservada, onde sofreu os estupros. A vítima afirmou ainda que recebeu ameaças de que ela e sua filha seriam mortas caso denunciasse o crime. Depois de sair da cadeia, ela procurou as autoridades e formalizou a denúncia, o que deu início à investigação. 

Ao analisar o caso, a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) encontrou DNA do policial no corpo da vítima. Diante disso, foram determinados mandados de busca e apreensão, além da prisão preventiva do investigador.

Após a conclusão do inquérito, Manoel Batista foi indiciado por estupro e abuso de autoridade. O Ministério Público apresentou denúncia, a Justiça aceitou a acusação e ele se tornou réu. A defesa tentou reverter a prisão por meio de habeas corpus, que foi rejeitado, e o investigador continua preso enquanto o caso segue em andamento.

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Grupo no WhatsApp

Áudios extraídos de um celular institucional furtado e atribuídos a policiais da delegacia reforçaram a suspeita de que as práticas eram constantes. As conversas apontam abusos contra presos, comentários de teor sexual sobre detentas, possíveis flagrantes forjados, simulação de confrontos e uso ilegal de aplicativos espiões.

O vazamento levou a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) a cobrar providências e fez a Corregedoria da Polícia Civil enviar uma equipe a Sorriso para apurar a conduta dos servidores citados nas conversas.

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Ameaças na corporação

Em meio à repercussão, a delegada Jannira Laranjeira, que atua no enfrentamento à violência contra a mulher, disse ter sofrido intimidação após se manifestar publicamente em defesa da investigação e da responsabilização do policial preso.

Ela relatou ter recebido mensagens privadas de intimidação depois de compartilhar, em suas redes sociais, uma notícia sobre a prisão preventiva do investigador Manoel Batista da Silva.

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