DA EDITORIA
Mensagens e áudios atribuídos a policiais, extraídos de um celular institucional de uma delegacia de Sorriso, em outubro de 2025, revelam diálogos que mencionam forja de flagrantes, simulação de confrontos com mortes, uso ilegal de aplicativos espiões e abusos contra pessoas presas. O material veio à tona após a denúncia de estupro feita por uma detenta dentro da unidade policial.
As conversas obtidas pelo
teriam ocorrido em um suposto grupo interno de mensagens intitulado "DHPP/Assuntos Oficiais" usado por policiais de da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Em um dos diálogos, um dos participantes escreve que seria preciso “meter flagrantão no pelo mesmo”, expressão que, conforme o contexto da conversa, indicaria a forja de prisão em flagrante.
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Em outro trecho, as mensagens sugerem agressões físicas contra presos e a tentativa de evitar a constatação das lesões. Em uma das conversas, há a afirmação de que “médico falou que só pode bater em vagabundo a partir da segunda quinzena de março”, em referência ao período em que um médico legista da Politec de Sorriso, que supostamente deixa de constatar as lesões, retornaria das férias.
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Os diálogos também indicam o acesso indevido a celulares de investigados. Em uma das mensagens, um policial afirma que “o celular dele tá com o Bruno instalado”, sugerindo a instalação de um aplicativo espião para monitorar, de forma ilegal, as ligações, mensagens de vídeo, áudio e escritas, além da localização do investigado.
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Outro print indica o monitoramento, em tempo real, da localização de um suspeito, com acompanhamento contínuo de seus deslocamentos.
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Há ainda mensagens que tratam de supostos confrontos policiais simulados. Em um dos trechos, um dos participantes afirma que “a gente tá pegando uma arma e rodando ela pelos confrontos”, o que indicaria a reutilização da mesma arma, que estaria sendo “plantada” em diferentes ocorrências de confronto, que sempre resultam na morte dos suspeitos. Outras expressões como “confronto maroto” e “confrontinho” são usadas para se referir à simulação de execuções praticadas pelos agentes e à posterior colocação de arma na cena do crime, com o relato de que o suspeito teria reagido à abordagem policial. A frase “trincar mais 2 esse fds” também aparece, sugerindo, conforme a interpretação do material, referência a mortes de suspeitos tratadas de forma informal.
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Um dos prints também faz ligação direta com o caso de um policial civil preso, trazendo mensagens de teor abusivo e sexualizado envolvendo uma mulher que também estaria detida na delegacia. Em um dos diálogos, o policial escreve: “dá uma escaldada na piranha rapaz, pode comê kkk”. Em outra mensagem, ele afirma: “já vi polícia se apaixonar por bandida várias vezes. Amor de grade”.
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Além dos prints, há também filmagem da tela do celular. Em uma das trocas de mensagens, integrantes do grupo discutem se a morte de um criminoso teria ocorrido em um confronto real ou se teria sido resultado de um confronto armado por policiais. Um dos participantes comenta que “mataram nosso menino ai em Sorriso”. Na sequência, um suposto delegado, por meio de mensagem, afirma acreditar que a morte se trata de confronto e não de execução, já que, conforme o áudio, “isso aqui tá com cara de que foi confronto mesmo, porque no meio do Poção, sem testemunhas, o cara matar um e trazer dois vivos deve ter sido confronto de verdade mesmo, porque se fosse padrão, era pra tá os três pro lado”.
Outro lado
Nossa equipe entrou em contato com a Polícia Civil que informou que o celular institucional foi furtado na Delegacia de Sorriso no mês de outubro de 2025 e que foi instaurado procedimento investigativo para apurar a autoria do furto, com ciência do Ministério Público. A instituição também afirmou que, caso as mensagens sejam verdadeiras, elas não teriam relação com o caso de estupro denunciado por uma mulher em dezembro de 2025.
Segundo a Polícia Civil, a Corregedoria-Geral irá apurar a autenticidade dos prints, o contexto das conversas e eventual desvio de conduta de policiais mencionados no material.
Veja vídeo:














Dionas 06/02/2026
Em Sinop tem o Miranda, Fábio, Sérgio .. todos que agem dessa maneira e so um foi preso. Polícia civil de MT composta por bandidos infelizmente
Paulo 06/02/2026
Gente isso e grave, cadê o MP para coordenar isso, pois deixar para corregedoria vai dar em nada e esconder da sociedade o que e de verdade por de trás desse lençol sujo. A sociedade tem que comprar do MP e pedir as demais autoridades que tome a frente disso, pois se existem vários policiais corruptos escondidos em um uniforme da polícia tem que ser posto ao público. Não interessa quem seja esses policiais, mas tem que ir ao público isso. Esse povo não pode representar a nossa polícia que e para proteger a sociedade e não fazer o que estão fazendo.
Eva 06/02/2026
Meu irmão foi ameaçado por alguns PMs e do jeitinho que eles ameaçaram, aconteceu: vários fragrantes com prisões, assassinado por facção e inquérito arquivado por falta de prova. Segundo os “agentes de segurança pública” —tudo isto nas tuas costas não dará em nada, pois, você é um vagabundo. Mateus Antônio da Silva assassinado em 05/11/2024, durante um trabalho como pedreiro, numa avenida onde existem câmeras. Mateus era usuário de entorpecentes desde os 11 anos de idade. Várias vezes em 2023 e 2024 ele foi espancado por estes agentes, segundo eles estavam dando uma “sessão de massagem” nele. O inquérito foi arquivado em setembro de 2025. Hoje eu estou tomando conta da filha dele, uma adolescente que não aceita a morte do pai, pois, mesmo ele sendo dependente químico era um pai presente. Viva Mato Grosso e o combate à violência.
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