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29 de Outubro de 2026

29 de Outubro de 2026, 11h:28 - A | A

POLÍCIA / OPERAÇÃO MÃOS À OBRA

Dnishi Empreendimentos pagou R$ 2,5 milhões em propina para liberar obras irregulares em Sinop, diz Gaeco

Segundo o Ministério Público, a construtora mantinha um esquema com servidores municipais para garantir a conclusão de obras e a emissão de Habite-se; investigação identificou 106 imóveis irregulares

Reprodução

A segunda fase da Operação Mãos à Obra identificou 106 imóveis irregulares e resultou em cinco prisões preventivas, segundo as informações divulgadas.

A segunda fase da Operação Mãos à Obra identificou 106 imóveis irregulares e resultou em cinco prisões preventivas, segundo as informações divulgadas.

DO REPÓRTERMT



A construtora Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda., de Sinop (a 481 km de Cuiabá), teria pago R$ 2,5 milhões em propina a servidores públicos municipais para conseguir liberar obras irregulares. A informação foi confirmada pela promotora de Justiça Roberta Cheregati Sanches durante coletiva sobre a segunda fase da Operação Mãos à Obra, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nessa quarta-feira (28).

A empresa tem como sócia-administradora a empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, presa preventivamente durante a operação. O marido dela, Agnaldo Rael da Silva, também foi preso e figura entre os servidores públicos investigados.

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Segundo a promotora, a construtora mantinha um esquema criminoso com agentes públicos para conseguir concluir empreendimentos fora das exigências legais e garantir a emissão do Habite-se, documento que atesta as condições legais de ocupação de um imóvel.

As investigações apontam que a Dnishi atuava principalmente na construção de kitnets destinadas à comercialização. Os compradores recebiam a garantia de que os imóveis seriam entregues concluídos e acompanhados da documentação, apesar das irregularidades.

"Essa empresa, através dos seus proprietários, pagaram de propina, o que foi apurado até o momento, 2 milhões e 500", declarou a promotora.

Ainda conforme Roberta, as investigações preliminares identificaram 106 imóveis irregulares vinculados à construtora, distribuídos por diversos bairros de Sinop. Mesmo fora das normas, as construções estão em funcionamento.

A promotora também destacou que o suposto esquema criminoso estava tão enraizado no órgão público que as práticas ilícitas teriam passado a fazer parte da rotina de atendimento.

"Durante nossas investigações, foi bem perceptível que essa estrutura dessa organização criminosa impregnou ali o órgão público de forma tão grave", afirmou.
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Operação Mãos à Obra

A segunda fase da Operação Mãos à Obra teve 18 alvos e resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva, além de 17 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o afastamento de seis servidores públicos e o bloqueio de até R$ 80 milhões em bens de investigados.

Além de Débora e Agnaldo, foram presos os engenheiros civis Fernando Dante Morari e Júlio Henrique Verdu Garcia, e o servidor Valdinei Monteiro da Silva.

O esquema investigado teria funcionado entre 2017 e 2026, envolvendo agentes públicos ligados à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop e empresários do setor imobiliário.

A primeira fase da operação foi realizada em julho deste ano, quando o Gaeco começou a investigar suspeitas de cobrança de propina para agilizar a tramitação e aprovação de projetos na Prefeitura.

Os R$ 2,5 milhões mencionados pela promotora correspondem ao montante de propina identificado até o momento nas investigações relacionadas à Dnishi. Já os R$ 80 milhões são referentes ao bloqueio patrimonial determinado pela Justiça, não significando que todo esse valor tenha sido efetivamente desviado.

Os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.

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