RepórterMT

O governador Pedro Taques (PSDB) não teve participação no esquema de escutas clandestinas, segundo o desembargador Orlando Perri.
CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O desembargador do Tribunal de Justiça, Orlando Perri, isentou o governador Pedro Taques (PSDB) de ter participação no esquema de escutas clandestinas, chamado “barriga de aluguel”, nos âmbitos das Polícias Civil e Militar.
A informação consta na decisão que determinou a prisão do ex-secretário da Casa Civil e primo do governador, o advogado Paulo Taques, nesta sexta-feira (4).
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
Conforme Perri, apesar dos “fortíssimos indícios do envolvimento de Paulo Taques com o grupo criminoso, o mesmo não se pode dizer – por ora – quanto ao governador”.
“Não há, até o momento, nenhum elemento, mínimo que seja, de sua participação na propalada organização criminosa, ou, pelo menos, de que sabia ou de que aquiesceu com os atos por ela praticados”, afirmou o desembargador.
Por outro lado, Perri apontou que o envolvimento de Paulo Taques se mostrou claro na revelação de que a ex-funcionária da Casa Civil e ex-amante do ex-secretário, Tatiane Sangalli, teve o celular interceptado em duas ações distintas das Polícias Civil e Militar.
Tatiane foi “grampeada” em outubro de 2014 pela Polícia Militar e, em 2015, em duas operações da Polícia Civil, “Forti” e “Querubim”. Na primeira, o telefone da ex-amante foi inserido ilegalmente em uma lista de investigação de tráfico internacional de drogas.
Já nas operações da Polícia Civil, a inserção do celular de Tatiane em escutas clandestinas foi feita depois que Paulo Taques informou uma suposta ameaça à vida do governador pelo ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Segundo consta, ela teria ligação com Arcanjo, articulando, inclusive um casamento com o ex-bicheiro.
“Em outras palavras: a ex-amante do ex-Secretário Chefe da Casa Civil, ora representado, Paulo Cesar Zamar Taques, estava grampeada desde outubro de 2014 pelo propalado e inexistente Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, e seu grampo ilegal, pela Polícia Judiciária Civil, a mando de Paulo Taques, somente foi uma continuidade da infração penal há tempos praticada”, apontou o desembargador.
Perri ainda argumentou para a participação dos militares presos por envolvimento nas escutas clandestinas. Nesse caso, no âmbito da Polícia Militar, estão na prisão os coronéis Zaqueu Barbosa (ex-comadante-geral da PM), Evandro Lesco (ex-secretário da Casa Militar) e Ronelson Barros (ex-adjunto da Casa Militar), e o cabo Gerson Luiz Ferreira Correa.
“Os principais envolvidos na trama delituosa são sempre as mesmas pessoas: Cb PM Gerson Correa, Paulo Taques, Cel. PM Zaqueu, Cel. PM Siqueira, Cel. PM Lesco, Cel. PM Barros, dentre outros. Em suma: os suspeitos de participação na prática do crime de interceptação telefônica ou são policiais militares, responsáveis pelo núcleo de inteligência, ou são pessoas que ocupam ou já exerceram cargos de Secretário de Estado”, escreveu.
Para o desembargador, a formação de uma organização criminosa em torno das interceptações telefônicas clandestinas em Mato Grosso é indiscutível e demonstra que os crimes foram praticados de forma devidamente arquitetada e bem articulada.
Ele afirmou ainda que os crimes não são isolados, uma vez que foram praticados por membros da chamada organização criminosa, que ocuparam cargos no alto escalão do Governo do Estado.














