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08 de Abril de 2017, 18h:00 - A | A

PODERES / PELA SEGUNDA VEZ

Justiça nega prisão de PM acusado de matar vendedor no CPA III

Para a magistrada, apesar da gravidade do delito não havia notícias de que o réu lançara ameaças às testemunhas ou interferido, de qualquer forma, nas investigações

RpMT/Reprodução

Os crimes ocorreram no Bairro CPA III, Setor 5, em Cuiabá

Os crimes ocorreram no Bairro CPA III, Setor 5, em Cuiabá

ALCIONE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO



Pela segunda vez o Poder Judiciário nega a prisão do major da Polícia Militar, Waldir Félix de Oliveira Paixão Júnior, acusado de assassinar o vendedor André Luiz Alves de Oliveira, no dia 2 de agosto do ano passado, em retaliação à morte do colega PM, Élcio Ramos Leite, morto no mesmo dia. 

Os crimes ocorreram no Bairro CPA III, Setor 5, em Cuiabá. Em fevereiro, a juíza Maria Aparecida Ferreira Fago, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, aceitou a denúncia contra o major PM pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual, mas negou a prisão pleiteada pelo promotor de Justiça Jaime Romaquelli, da 2ª Promotoria de Justiça Criminal.

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“Apesar da gravidade do delito imputado ao réu, na denúncia, anotado que o fato ocorreu no dia 02 de agosto de 2016 e, passados mais de seis meses, não havia, nos autos, notícias que o réu lançara ameaças às testemunhas ou interferido, de qualquer forma, nas investigações, o que indicava que, também, não atrapalharia a instrução probatória”, diz trecho da decisão.

Na época, a magistrada justificou que “apesar da gravidade do delito imputado ao réu, na denúncia, anotado que o fato ocorreu no dia 02 de agosto de 2016 e, passados mais de seis meses, não havia, nos autos, notícias que o réu lançara ameaças às testemunhas ou interferido, de qualquer forma, nas investigações, o que indicava que, também, não atrapalharia a instrução probatória”, diz trecho da decisão.

A magistrada lembra que o militar foi transferido e promovido, pois desde o dia 22 de novembro de 2016, está residindo no município de Juara (718 km de Cuiabá), onde assumiu o comando do 21º Batalhão da PM.

No novo pedido, o promotor argumentou que o militar poderia influenciar os ânimos das testemunhas e trazer prejuízos para a apuração dos fatos "em razão da gravidade do crime cometido à frente da sociedade e dos meios de imprensa que se faziam presentes no local, bem como em razão da patente que detém".

Como o promotor responsável pelo caso recorreu e insistiu na prisão do PM, novamente teve o pedido negado. “Reexaminando a decisão atacada (...) concluo que não deve haver modificação do julgado”, afirma a magistrada. “A despeito das razões expostas pelo recorrente  naquela (...) foram externados os motivos de meu convencimento no tocante à desnecessidade de segregação cautelar do acusado sem a ocorrência de fato novo até o presente”, disse a juíza em decisão proferida dia 03 de abril.

Caso

No dia do crime, os soldados Élcio e Wanderson José Saraiva investigavam uma suposta comercialização ilegal de armas de fogo no CPA III. A paisana, os militares se encontraram com os irmãos André Luiz Alves de Oliveira e Carlos Alberto de Oliveira Júnior e começaram a negociar a compra de uma arma.

Os policiais foram até a casa da família dos irmãos quando houve um desentendimento. O PM Élcio Ramos acabou sendo assassinado e o Major Waldir Félix de Oliveira Paixão Júnior, apontou André Luiz como culpado. Apesar de ter se rendido aos policiais, minutos depois André Luiz apareceu morto, a versão inicial da polícia é que ele teria recebido os militares com tiros, porém imagens da imprensa que cobriram o episódio mostravam que o acusado estava desarmado.

 

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