CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) instaurou procedimento sigiloso para apurar a autorização judicial, que permitiu a instalação de escutas telefônicas monitoradas pela Polícia Militar, contra políticos, empresários, advogados e jornalistas em Mato Grosso. O sistema ilegal usado é conhecido como "Barriga de Aluguel".
Segundo a assessoria de imprensa do tribunal, o presidente do órgão, Rui Ramos, só irá se pronunciar depois das averiguações internas.
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“Se houve alguma fraude, não foi atribuição de nenhum magistrado. Isso veio de fonte própria, da fonte competente que normalmente é do Ministério Público ou preparado pelas autoridades policiais”, declarou Rui Ramos.
Em entrevista para o programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (14), Ramos, no entanto, alegou que a Justiça pode ter sido induzida ao erro ao autorizar as interceptações telefônicas, já que o TJMT recebeu o pedido de escutas a uma lista de cerca de 120 números, de supostos envolvidos com o tráfico de drogas, e entre estes, estavam telefones de políticos e pessoas com prerrogativa de foro.
“Se houve alguma fraude, não foi atribuição de nenhum magistrado. Isso veio de fonte própria, da fonte competente que normalmente é do Ministério Público ou preparado pelas autoridades policiais”, declarou Rui Ramos.
As escutas foram autorizadas por um magistrado em 2014, a pedido da Polícia Militar, sob a alegação de uma investigação de tráfico internacional de drogas. O TJMT não revelou, como é feita a avaliação dos pedidos de interceptação telefônica, que chegam à Justiça, e nem o nome do juiz que autorizou os 'grampos'.
A denúncia das escutas ilegais foi feita pelo promotor de Justiça, Mauro Zaque, em 2015, quando era secretário de Estado de Segurança Pública. Ele afirmou ter apresentado as informações ao governador Pedro Taques (PSDB).
Já Taques informou que o documento nunca chegou às suas mãos e também determinou apuração a respeito do assunto no Estado.
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