EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Mato Grosso cumpre, na manhã de hoje (24), mandado de busca e apreensão na Terrana, em Várzea Grande, durante uma nova fase da Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa no setor de combustíveis. A investigação identificou movimentação de R$ 11,6 bilhões.
A informação sobre o alvo em Mato Grosso foi confirmada ao RepórterMT por fonte oficial. A Terrana é o nome fantasia da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., empresa que mantém uma base na Avenida Júlio Domingos de Campos, no bairro Jardim Eldorado. O próprio site da companhia relaciona a unidade entre suas bases em Mato Grosso.
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A ação nacional foi deflagrada pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Receita Federal e conta com apoio das forças estaduais nos locais onde as ordens judiciais são cumpridas.
Entre os principais alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo e sócio do Banco Genial, os irmãos André e Bruno Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, conhecido como Mineiro e com ligações com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. O Grupo Entre está entre as empresas envolvidas no financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a Receita Federal, a operação desta quinta-feira, denominada Operação Crédito Oculto, é um desdobramento da Carbono Oculto e cumpre buscas em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas. São 27 alvos distribuídos por São Paulo, Mato Grosso, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A investigação busca aprofundar a apuração sobre uma suposta estrutura de lavagem de capitais montada para viabilizar a aquisição de uma grande distribuidora de combustíveis. A apuração alcança a Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida comercialmente como Terrana.
De acordo com a Receita, os investigadores identificaram uma estrutura formada por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, que teria sido utilizada para afastar os recursos empregados na operação de seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.
Em uma das operações analisadas, R$ 100 milhões teriam circulado por diferentes contas e fintechs em poucos minutos até chegar a uma usina sucroalcooleira. Conforme a investigação, os recursos foram posteriormente empregados na estrutura financeira montada para a aquisição da distribuidora.
A Receita também identificou uma empresa financeira envolvida nas operações que movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume das transações, somado aos demais elementos reunidos, reforça os indícios de uso de estruturas financeiras para ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.















