RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
Em depoimento à Polícia Civil, o cabo da Polícia Militar Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior - acusado de participar do esquema de grampos em Mato Grosso - revelou que o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, pagou R$ 50 mil para garantir a continuidade das interceptações telefônicas ilegais de políticos, empresários, advogados e jornalistas durante a campanha eleitoral ao Governo do Estado, em 2014.
Ainda de acordo com o militar, o valor foi repassado diretamente ao ex-secretário-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, com a ordem de que as escutas fossem estritamente políticas.
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“Revelação de que o interrogado Gerson Correa ouviu do investigado Paulo Taques que seu interesse nas interceptações ilegais era estritamente político”, mostra trecho do documento.
Na confissão aos delegados Ana Cristina Feldner e Flavio Stringueta, responsáveis pelas investigações do esquema, o cabo deixa claro que os “alvos políticos” deveriam ser adversários do então candidato e atual governador do Estado, Pedro Taques (PSDB), que também é primo de Paulo.
Segundo Gerson, o responsável por comandar todo o processo desde o início foi o ex-comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, Zaqueu Barbosa, atualmente preso por suposta participação no esquema.
“Os ‘alvos políticos’ eram passados ao interrogado Gerson Correa pelo coronel PM Zaqueu Barbosa, que era quem comandava toda a operação desde o início”, diz parte do depoimento.
Prisões
Atualmente, todos os acusados no depoimento estão presos preventivamente por ordem do desembargador Orlando Perri - do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Os ex-secretários de Estado, coronel Evandro Lesco (Casa Militar) e Rogers Jarbas (Segurança) estão presos no Batalhão de Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) e Polinter, respectivamente.
O 2º sargento da Polícia Militar João Ricardo Soler está detido em Várzea Grande.
Paulo Taques e o coronel Siqueira Júnior (ex-secretário de Segurança) seguem presos no Centro de Custódia da Capital (CCC).
Todos foram presos no dia 27 de setembro, durante a Operação Esdras, por tentativa de obstrução à Justiça e interferência na investigação dos “grampos”.















