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Cuiabá, 18 de Julho de 2024
18 de Julho de 2024

16 de Outubro de 2017, 08h:36 - A | A

OPINIÃO / ROSANA LEITE

Inesquecível Leuby

Cuiabana de tchapa e cruz, o linguajar a diferenciava: "chas criança", "lacantina"



A morte, nossa única certeza, é imprevisível. Leuby, Leubinha, Binhoca, Vó Bi, como era conhecida, foi presente na vida de muita gente. Com seu jeito meigo e carinhoso, ganhava adeptos do seu amor diariamente.

Ouvinte silenciosa e amável, guardava consigo a segurança para acalmar aqueles e aquelas que dela socorriam. E não eram poucos.

As suas preocupações e amores maiores eram o filho, filhas, netos e netas. A união familiar foi sua premissa.

Em dia de aniversário de um dos seus, telefonava na casa dos demais, para que o aniversariante não fosse esquecido. E quem avisava do seu? Não precisava, era inesquecível.

Para vê-la sorrindo, bastava lhe dirigir a palavra. E topava tudo, demonstrando a capacidade de convivência universal. Extremamente pontual, sair do horário combinado se perfazia em algo incabível.

Cuiabana de tchapa e cruz, o linguajar a diferenciava. "Chas criança", "lacantina", "espia aí", "rebuça que tá frio", eram fáceis de se ouvir.

As risadas largas, denunciavam a simpatia mato-grossense. O jeitinho manso ao telefone, mesmo sendo um meio de comunicação que não gostava de fazer uso, eram marcantes. Achava que o contato pessoal realmente valia. Assim, se queria conversar com alguém, partia ao encontro.

Solidária, quando o marido estava deputado federal, hospedava muitas pessoas em seu apartamento, porquanto, entendia que devia servir ao povo de forma permanente.

Nesta época, conviveu com o público e o privado indissociáveis. Certa vez, abrigou 31 índios e índias de uma tribo de Mato Grosso. Outra, dividiu o lar da sua família com 25 artistas de teatro do estado.

Pessoas em tratamento médico em Brasília buscavam amparo da professora Leuby. E ela, sem qualquer distinção, livre das amarras, estava sempre pronta para ajudar. Entendia, ao "pé da letra", que o mandato eletivo é do povo. Contribuía financeiramente com muitas instituições filantrópicas.

A visita com a Companhia do Sorriso, entidade de filantropia que atende crianças com câncer em Cuiabá, foi uma das últimas que realizou. Em abril deste ano esteve com crianças vítimas dessa terrível enfermidade.

Conversou com as mães que estavam com os filhos e filhas enfermas, com elas derramando lágrimas e orações.

A beleza era natural, majorada com o jeito simpatizante e alegre. Certa vez, em Brasília, um índio propôs ao deputado Gilson de Barros que trocassem de mulher. Segundo ele, era comum na sua tribo a troca de mulheres.

Porque não? A gargalhada foi geral. E o consorte só gargalhou por entender fazer parte do costume indígena.

A canastra, por ser um jogo de baralho que necessita da inteligência, era o seu favorito, senão o único que apreciava. Aliás, era algo que a fazia ficar sentada por horas.

Como mulher dinâmica que sempre foi, não costumava ficar parada. Sentar, deitar e descansar, eram verbos pouco usados em sua vida terrena.

Vaidosa e preocupada com a saúde, procurava a alimentação saudável. O que não a poupou da cruel fibrose pulmonar.

A descoberta a abalou, mas, não deixou de lutar.

A cuiabania fica triste e órfã com a sua partida. Foi uma mulher que disseminou a cultura cuiabana por onde passou, com orgulho. A saudade ficará para sempre, como bálsamo a acalentar a sua falta.

Entendo, assim como ela, que a distância é temporária.

E assim sendo, bem cuiabanês: Fique em paz, Leuby de Cássio e Ruth...

Leuby de Gilson...

Leuby de Kátia, Gisele, Saíto e Helinha...

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual em Mato Grosso

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Elisangela Coelho 16/10/2017

Linda homenagem!

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1 comentários

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