MARCELO ROMÃO
Sorriso, Alta Floresta, Nova Mutum, Querência, Nova Xavantina, Matupá, Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Primavera do Leste estão na rota mais severa dos efeitos do El Niño, os 11municipios fazem parte do epicentro de uma crise climática com data marcada para chegar. Agosto é o início, setembro o clímax e outubro a despedida, não menos extrema na intensidade. Os alertas climáticos oferecem o poder da informação com precisão nas mãos dos governos Estadual e Federal.
O que é esperado? Acima de tudo, sobriedade e planejamento estratégico por parte dos gestores públicos e da sociedade civil. O cenário que se desenha para o Estado de Mato Grosso não é apenas um desafio sazonal, mas uma prova de fogo para a resiliência das nossas instituições e da nossa economia. O rigor do alerta climático requer analisar os dados com a frieza que o momento exige, pois estamos falando de severidade climática sem precedentes.
As projeções técnicas indicam temperaturas extremas que podem atingir a marca dos 45°C, um patamar que desafia a biologia, a infraestrutura urbana, e o resiliente agronegócio. Mais grave ainda é a previsão de um aumento de até 80% nos focos de calor em comparação às médias históricas. Estamos diante de um barril de pólvora ambiental que aguarda apenas uma faísca.
Em jogo, ou na mira dos incêndios estão a economia e saúde, sendo que o impacto desta realidade transcende a questão meteorológica e atinge o coração produtivo do país. No agronegócio, o risco às safras é real e imediato. A falta de umidade e o calor excessivo podem forçar produtores ao replantio, gerando custos adicionais e instabilidade em um setor que é o pilar do nosso Produto Interno Bruto. Não menos importante é a questão da saúde humana. O calor extremo não é apenas um desconforto; é um fator de risco para o aumento de doenças respiratórias e cardiovasculares, sobrecarregando o sistema público de saúde em um momento em que a qualidade do ar será severamente comprometida pela fumaça.
Nosso meio ambiente não pode sucumbir novamente. A história recente nos serve de advertência. As perdas de fauna e flora registradas nos desastres de 2020 e 2022, tanto no Pantanal quanto na Amazônia, são feridas que ainda não cicatrizaram. A biodiversidade brasileira, um patrimônio inestimável, não poderia sofrer uma reincidência daquela magnitude. A preservação dos biomas é, portanto, uma questão de soberania e responsabilidade intergeracional. Gestão pública e a necessidade de Cooperação Federativa tem que ser alternativa imediata. O Governo de Mato Grosso já declarou destinar R$ 134 milhões para ações de prevenção e combate. No entanto, o pragmatismo nos obriga a reconhecer que o esforço estadual, isoladamente, pode ser insuficiente diante da eficiência destrutiva do fenômeno El Niño.
É imperativo que o Governo Federal atue com celeridade e ofereça o auxílio técnico e financeiro necessário.
O pacto federativo deve se manifestar na prática, com recursos que permitam uma resposta à altura do desafio. A omissão ou a lentidão burocrática podem custar caro ao patrimônio natural e econômico. O momento exige vigilância e ação coordenada. A análise técnica que fundamenta este alerta e orienta as decisões estratégicas é de responsabilidade da GMG Ambiental que não se exime da responsabilidade em alertar, além de monitorar com precisão através da plataforma Orion, uma solução geoespacial, a mais reconhecida nacionalmente.
Marcelo Romão é Analista de Risco de Fogo.













