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Cuiabá, 05 de Junho de 2026
05 de Junho de 2026

05 de Junho de 2026, 14h:20 - A | A

OPINIÃO / CHARLES DA EDUCAÇÃO

Investir em esporte é investir no aprendizado

CHARLES DA EDUCAÇÃO



Existe um equívoco antigo na forma como muita gente enxerga a educação: a ideia de que estudar e praticar esporte são coisas que competem entre si, como se cada hora na quadra fosse uma hora roubada dos livros. A verdade é exatamente o contrário. O esporte não atrapalha o aprendizado, ele o potencializa. E entender isso é fundamental para quem quer melhorar de verdade o desempenho dos alunos.

Comecemos pelo cérebro. A atividade física regular aumenta a oxigenação e estimula a liberação de substâncias ligadas à concentração, à memória e ao bom humor. Na prática, isso significa um aluno mais desperto, que sustenta a atenção por mais tempo e retém melhor o que aprende. Não é raro que estudantes mais ativos fisicamente apresentem melhor rendimento justamente nas disciplinas que exigem raciocínio e foco. O corpo em movimento prepara a mente para aprender.

Mas o ganho mais profundo talvez não esteja nas notas, e sim no caráter. O esporte ensina, de um jeito que poucas atividades conseguem, o valor do esforço. Quem treina aprende que o resultado vem da repetição, da disciplina e da paciência. Aprende a perder sem desistir e a vencer sem arrogância. Uma criança que entende isso na quadra carrega a mesma lógica para a prova difícil, para o trabalho que não saiu de primeira, para o desafio que parecia grande demais. A persistência aprendida no esporte vira persistência na sala de aula.

Há ainda a dimensão da convivência. Esportes coletivos exigem comunicação, cooperação e respeito a regras e a colegas. O aluno aprende a confiar no time, a assumir responsabilidades, a liderar e a ser liderado. Essas competências, que o mercado de trabalho hoje tanto valoriza, começam a ser construídas muito cedo, em uma partida de futebol ou de vôlei na escola. O esporte também fortalece o senso de pertencimento, e o aluno que se sente parte de algo falta menos, evade menos e se engaja mais.

Não podemos esquecer do equilíbrio emocional, talvez o ponto mais decisivo. A rotina escolar pode ser pesada, e o esporte funciona como uma válvula natural para o estresse e a ansiedade. Estudantes que se exercitam relatam melhor qualidade de sono, mais autoestima e mais disposição. E um aluno emocionalmente equilibrado simplesmente aprende melhor: ele chega à aula mais leve, mais concentrado e mais aberto ao conhecimento. Saúde mental e desempenho escolar caminham juntos, e o esporte é uma das pontes mais eficazes entre os dois.

Quando somamos tudo isso, fica claro que oferecer esporte de qualidade não é um luxo nem um detalhe do currículo, é uma das decisões mais inteligentes que uma cidade pode tomar pela sua educação. Foi com essa convicção que liderei a criação do Bolsa Atleta de Várzea Grande, instituído pela Lei n.º 5.422/2025, e que apresentei emenda ao Orçamento de 2026 destinando recursos ao programa e à construção do Centro de Esportes Aquáticos do município. São ferramentas para que mais crianças e jovens tenham acesso àquilo que comprovadamente os torna estudantes melhores.

Educar é formar pessoas completas, e não há formação completa que ignore o corpo. Quando damos ao esporte o lugar que ele merece dentro da educação, não estamos apenas revelando atletas: estamos formando estudantes mais atentos, mais disciplinados, mais saudáveis e mais preparados para a vida. Esse é o caminho que defendo para Várzea Grande, e é nele que vou seguir trabalhando.

Charles da Educação é atleta e vereador de Várzea Grande.

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