DAFFINY DELGADO
DA REDAÇÃO
O juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, Marcos Faleiros, designou para o dia 18 de julho a primeira audiência de instrução que vai julgar a tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza Dechamps, em um novo processo por crime de tortura, durante curso de formação da corporação. Desta vez, a vítima é o ex-aluno Maurício Júnior dos Santos.
A tenente foi denunciada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em janeiro.
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Na última quinta-feira (17), foi realizado o sorteio que selecionou, para o conselho de sentença os oficiais, os tenentes coronéis Edylson Figueiredo Pintel e Otoniel Gonçalves Pinto, e os capitães Heryk Henryk de Deus Pereira, Lucas Andreo e Rosana Siqueira Galvão Corvoisier.
Esta é a segunda vez que Ledur é denunciada pelo crime de tortura. No ano passado, a militar respondeu pelo mesmo crime, desta vez, contra o ex-aluno Rodrigo Claro, que morreu após sessões de afogamento durante o 16º Curso de Formação de Bombeiros. No entanto, a Justiça Militar livrou a tenente da acusação.
Tortura contra Maurício
De acordo com a denúncia, assinada pelo promotor Paulo Henrique Amaral Motta, as aulas de atividades aquáticas do 15° Curso de Formação de Soldados do Corpo de Bombeiros tiveram início em 2016, ocasião em que Ledur era instrutora.
Apesar de apresentar bom condicionamento físico, bem como ter sido aprovado em todas as fases do concurso, Maurício demonstrou dificuldades na execução das atividades aquáticas, o que era visível a todos os alunos e instrutores.
"Por conta disso, depreende-se do feito, que a vítima já se encontrava pressionada e temerosa, vez que a imputada (Ledur) era conhecida por utilizar métodos reprováveis para 'castigar' alguns alunos que estavam sob sua guarda", diz trecho de documento.
Durante um dos dias de treinamento, realizado na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, após a execução dos exercícios preliminares, os alunos formaram uma fila e entraram na água sem corda de apoio ou colete salva-vidas.
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Em seguida, após percorrer cerca de 40 metros, a vítima começou a sentir câimbras, sendo auxiliada pelos colegas. Ocorre que, já no meio do percurso, a denunciada determinou que os demais alunos seguissem com a travessia, deixando Maurício para trás.
"A partir daí, como forma de aplicar castigo pessoal, a denunciada passou a torturar física e psicologicamente a vítima, quando, além de proferir palavras ofensivas, utilizando a corda da boia ecológica iniciou uma sessão de afogamentos, submergindo-a por diversas vezes", diz trecho de denúncia.
Ato contínuo, após alguns “caldos”, o ofendido já sem forças para emergir e respirar, depois de ter engolido muita água e gritado por socorro, veio a segurar os braços de Ledur implorando para que ela cessasse a atividade.
No entanto, ela repreendeu o aluno gritando: “Você está louco? Aluno encostando em oficial”. E as sessões de afogamento só se encerraram quando a vítima perdeu a consciência. Assim que recobrou a consciência, a militar exigiu aos gritos que ele retornasse para a água.
"Por sentir fortes dores de cabeça, temendo por sua vida, a vítima não retornou às atividades aquáticas".
Para o promotor, "a autoria do crime de tortura encontra-se robustamente demonstrada, por força do contido nos documentos acima mencionados".
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