ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
A denúncia oferecida pelo MPMT (Ministério Público de Mato Grosso) contra Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, acusado de assassinar e enterrar a esposa, a empresária Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, foi recebida pelo juízo da 14ª Vara Criminal de Cuiabá.
A peça jurídica revela um detalhe brutal: a vítima foi assassinada por asfixia mecânica na cama, enquanto dormia, o que eliminou qualquer chance de reação defensiva.
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O acusado, que cumpre prisão preventiva desde o início do mês, passou oficialmente à condição de réu e responderá em regime fechado por feminicídio qualificado, ocultação de cadáver e comunicação falsa de crime.
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De acordo com o promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, da 27ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, o crime teve motivação puramente patrimonial.
O documento do Ministério Público aponta que o réu adotou medidas para obter o controle financeiro total sobre os bens e valores da empresária, realizando inclusive movimentações bancárias em benefício próprio antes e logo após a execução do homicídio, ocorrido na residência do casal, no bairro Parque Cuiabá.
A investigação da DHPP (Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa), conduzida pelo delegado Caio Albuquerque, já havia detalhado a frieza do criminoso na ocultação do corpo.
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Jackson transportou o cadáver até outro imóvel de Nilza e contratou um maquinário pesado para cavar uma cova de dois metros de profundidade no quintal, mentindo para o operador que a escavação serviria para colocar uma manilha de escoamento.
Para tentar se livrar da culpa, ele arrancou o sistema de gravação das câmeras de segurança e usou o celular da própria esposa para enviar mensagens a familiares simulando um falso sequestro com pedido de resgate.
A farsa ruiu na delegacia quando o suspeito entrou em contradição ao ser confrontado sobre estar trajando a mesma camisa de uma foto postada nas redes sociais para fingir que a esposa ainda estava viva.
Jackson acabou confessando o feminicídio. Agora, com o início oficial da ação penal, o Ministério Público requereu o prosseguimento do processo para que o réu seja levado a julgamento popular pelo Tribunal do Júri, além de exigir a fixação de um valor mínimo de indenização financeira para reparar os danos causados aos familiares da empresária.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.














