Rosinei Coutinho/STF

Antes de entrar no mérito das suspeitas, o plenário deve analisar questões preliminares relacionadas ao processo e aos elementos que deram origem ao pedido
AUGUSTO FERNANDES E GABRIELA COELHO
DO R7
O STF (Supremo Tribunal Federal) realiza nesta terça-feira (15) um julgamento inédito na história da Corte: pela primeira vez, os ministros vão se reunir para decidir sobre a abertura de uma investigação envolvendo um integrante do próprio tribunal. O caso envolve o ministro Alexandre de Moraes e a suposta relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Antes de entrar no mérito das suspeitas, o plenário deve analisar questões preliminares relacionadas ao processo e aos elementos que deram origem ao pedido. Entre os pontos que podem ser examinados, estão a validade e a admissibilidade do relatório elaborado pela Polícia Federal, que revelou mensagens atribuídas a Vorcaro e destinadas a Moraes.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

A análise das preliminares funciona como uma espécie de filtro. Os ministros poderão avaliar, entre outros pontos, se o procedimento pode tramitar no STF, se os elementos apresentados foram obtidos de forma legal e se há base mínima para que uma eventual investigação seja aberta.
Caso o plenário identifique uma questão que impeça o prosseguimento do pedido, o procedimento poderá ser encerrado sem que os ministros precisem analisar as suspeitas contra Moraes. Se os requisitos forem considerados atendidos, a Corte poderá avançar para a discussão sobre a abertura ou não da investigação.
O que a PF encontrou
Relatórios produzidos pela Polícia Federal no caso Master apontaram que Vorcaro teria enviado mensagens a Moraes para pedir intervenção em favor do banco e ajuda para evitar medidas contra a instituição.
A perícia realizada no celular do empresário identificou uma dinâmica específica de comunicação. Segundo a PF, Vorcaro escrevia os textos no aplicativo de notas do celular, fazia uma captura de tela e, segundos depois, encaminhava a imagem pelo WhatsApp como mensagem de visualização única. Os investigadores identificaram 52 registros que seguiram esse padrão.
O número que recebeu as mensagens estava salvo na agenda de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
A perícia apontou ainda que, em 17 de setembro de 2025, o contato atribuído ao ministro ativou no WhatsApp a função de mensagens temporárias, com exclusão automática após 24 horas.
Apesar disso, os peritos conseguiram recuperar registros relacionados às mensagens a partir de dados armazenados no aparelho, incluindo notas, capturas de tela, horários e arquivos temporários.
Pedidos de ajuda
Entre os conteúdos recuperados pela PF estão mensagens nas quais Vorcaro demonstrava preocupação com possíveis ações da Polícia Federal, do Ministério Público e do Banco Central contra ele e o Banco Master.
Em uma das notas, de 30 de outubro de 2025, o empresário escreveu que tinha informações sobre pressão contra ele e pediu que fosse reforçada a atuação junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em outra mensagem, de 15 de novembro, Vorcaro questionou se seria possível “reverter” medidas com Gonet ou Andrei e perguntou se deveria deixar o país.
Julgamento dividido
O julgamento deve ocorrer em um plenário dividido. Nos bastidores, três ministros são apontados como mais inclinados a rejeitar o prosseguimento dos procedimentos contra Moraes: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Do outro lado, André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques são apontados como favoráveis à continuidade das apurações.
A participação de Moraes e Dias Toffoli ainda é incerta, visto que Moraes está diretamente envolvido no pedido que será analisado pelo plenário e Toffoli já se declarou suspeito em desdobramentos relacionados ao caso Banco Master.
Nesse cenário, os votos de Cármen Lúcia e Edson Fachin podem ser decisivos. Os dois ministros mantêm reserva sobre como pretendem se posicionar.












