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15 de Setembro de 2026

15 de Setembro de 2026, 07h:13 - A | A

POLÍTICA / NA BERLINDA

STF decide hoje se investiga Moraes por suposta relação com Vorcaro

Relatório da PF aponta mensagens de Vorcaro com pedidos de intervenção em favor do Banco Master

Rosinei Coutinho/STF

Antes de entrar no mérito das suspeitas, o plenário deve analisar questões preliminares relacionadas ao processo e aos elementos que deram origem ao pedido

Antes de entrar no mérito das suspeitas, o plenário deve analisar questões preliminares relacionadas ao processo e aos elementos que deram origem ao pedido

AUGUSTO FERNANDES E GABRIELA COELHO
DO R7



O STF (Supremo Tribunal Federal) realiza nesta terça-feira (15) um julgamento inédito na história da Corte: pela primeira vez, os ministros vão se reunir para decidir sobre a abertura de uma investigação envolvendo um integrante do próprio tribunal. O caso envolve o ministro Alexandre de Moraes e a suposta relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Antes de entrar no mérito das suspeitas, o plenário deve analisar questões preliminares relacionadas ao processo e aos elementos que deram origem ao pedido. Entre os pontos que podem ser examinados, estão a validade e a admissibilidade do relatório elaborado pela Polícia Federal, que revelou mensagens atribuídas a Vorcaro e destinadas a Moraes.

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A análise das preliminares funciona como uma espécie de filtro. Os ministros poderão avaliar, entre outros pontos, se o procedimento pode tramitar no STF, se os elementos apresentados foram obtidos de forma legal e se há base mínima para que uma eventual investigação seja aberta.

Caso o plenário identifique uma questão que impeça o prosseguimento do pedido, o procedimento poderá ser encerrado sem que os ministros precisem analisar as suspeitas contra Moraes. Se os requisitos forem considerados atendidos, a Corte poderá avançar para a discussão sobre a abertura ou não da investigação.

O que a PF encontrou

Relatórios produzidos pela Polícia Federal no caso Master apontaram que Vorcaro teria enviado mensagens a Moraes para pedir intervenção em favor do banco e ajuda para evitar medidas contra a instituição.

A perícia realizada no celular do empresário identificou uma dinâmica específica de comunicação. Segundo a PF, Vorcaro escrevia os textos no aplicativo de notas do celular, fazia uma captura de tela e, segundos depois, encaminhava a imagem pelo WhatsApp como mensagem de visualização única. Os investigadores identificaram 52 registros que seguiram esse padrão.

O número que recebeu as mensagens estava salvo na agenda de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

A perícia apontou ainda que, em 17 de setembro de 2025, o contato atribuído ao ministro ativou no WhatsApp a função de mensagens temporárias, com exclusão automática após 24 horas.

Apesar disso, os peritos conseguiram recuperar registros relacionados às mensagens a partir de dados armazenados no aparelho, incluindo notas, capturas de tela, horários e arquivos temporários.

Prints das mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes no dia da prisão do empresário 

Pedidos de ajuda

Entre os conteúdos recuperados pela PF estão mensagens nas quais Vorcaro demonstrava preocupação com possíveis ações da Polícia Federal, do Ministério Público e do Banco Central contra ele e o Banco Master.

Em uma das notas, de 30 de outubro de 2025, o empresário escreveu que tinha informações sobre pressão contra ele e pediu que fosse reforçada a atuação junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em outra mensagem, de 15 de novembro, Vorcaro questionou se seria possível “reverter” medidas com Gonet ou Andrei e perguntou se deveria deixar o país.

Julgamento dividido

O julgamento deve ocorrer em um plenário dividido. Nos bastidores, três ministros são apontados como mais inclinados a rejeitar o prosseguimento dos procedimentos contra Moraes: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Do outro lado, André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques são apontados como favoráveis à continuidade das apurações.

A participação de Moraes e Dias Toffoli ainda é incerta, visto que Moraes está diretamente envolvido no pedido que será analisado pelo plenário e Toffoli já se declarou suspeito em desdobramentos relacionados ao caso Banco Master.

Nesse cenário, os votos de Cármen Lúcia e Edson Fachin podem ser decisivos. Os dois ministros mantêm reserva sobre como pretendem se posicionar.

 

 

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