Cuiabá, 18 de Outubro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
18 de Outubro de 2026

16 de Julho de 2026, 15h:07 - A | A

POLÍTICA / GUERRA FRIA NO PARLAMENTO

Sem quórum de vereadores, Câmara de Cuiabá rejeita LDO e cancela recesso parlamentar 

Em aparente represália à suspensão judicial da votação por mudança no quórum para eleição da Mesa Diretora, base do prefeito derruba Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Câmara Municipal de Cuiabá

Somente 12 vereadores votaram.

Somente 12 vereadores votaram.

ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT



A queda de braço pelo comando da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá se tornou uma "guerra fria" de bastidores. O plenário rejeitou hoje (16) o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para o exercício de 2027. O texto recebeu 12 votos favoráveis, mas precisava de pelo menos 14 (maioria absoluta) para ser aprovado.

Como a legislação proíbe o início do recesso parlamentar de julho sem a votação das diretrizes orçamentárias, os vereadores cuiabanos estão oficialmente impedidos de suspender os trabalhos e não terão férias no meio do ano.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Após a rejeição, os vereadores aliados ao Palácio Alencastro se retiraram do plenário de forma coordenada para derrubar o quórum, impedindo qualquer debate e deixando o Parlamento em um limbo regimental.

A presidente da Casa, Paula Calil (PL), informou que acionará a Procuradoria-Geral do Município (PGM) e o setor jurídico do Legislativo para emitir um parecer sobre a necessidade de o Poder Executivo enviar um novo projeto substitutivo da LDO para evitar o apagão fiscal no planejamento do próximo ano.

A rejeição da LDO parece ter sido a resposta política imediata à suspensão judicial que barrou a sessão desta quinta, a qual tentaria alterar o Regimento Interno para viabilizar a reeleição de Paula Calil na Mesa Diretora.

O pano de fundo é a intensa disputa pelo controle da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028, que hoje conta com três candidaturas declaradas à presidência. O racha se aprofundou com a articulação de Paula Calil para mudar as regras internas e tentar uma reeleição, manobra que foi suspensa por decisão liminar do Tribunal de Justiça.

A decisão judicial desintegrou o acordo que ela mantinha com o vereador Dilemário Alencar (União Brasil), que imediatamente rompeu com o grupo governista e recolocou seu nome na disputa, acompanhado pela vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade).

Além de Paula e Dilemário, o vereador Ilde Taques (PSB) lidera a chapa de oposição, que atualmente conta com um bloco consolidado de 13 votos nos bastidores, transformando a eleição em um cenário de indefinição absoluta onde nenhum dos lados tem maioria segura.

O Parlamento cuiabano aprovou a toque de caixa uma resolução que altera o funcionamento das sessões ordinárias para o período de agosto a outubro. Pelo novo modelo, os vereadores se reunirão apenas uma vez por semana, realizando duas sessões no mesmo dia, uma pela manhã e outra no período da tarde.

A medida visa esvaziar o plenário da Câmara de Cuiabá nos meses que antecedem as eleições municipais e diminuir o desgaste público de debates inflamados na tribuna, mantendo os parlamentares focados nas campanhas de rua.

Sem diálogo entre os blocos governista, independente e de oposição, a "guerra fria" deve arrastar o impasse sobre a votação do orçamento e a eleição da nova Mesa Diretora até o limite dos prazos regimentais.

Comente esta notícia

AÍRTON MONTEIRO DE AGUIAR 16/07/2026

É por isso e outras,que a Câmara municipal de Cuiabá e chamada de a casa dos horrores.

positivo
1
negativo
0

1 comentários