ANA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), "metralhou" o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) e levantou suspeitas de que a campanha do parlamentar à Prefeitura de Cuiabá, em 2012, teria sido financiada com recursos desviados do esquema de corrupção do VLT (Veículo Leve sob Trilhos).
A declaração ocorreu hoje (14), em resposta ao episódio ocorrido nessa segunda-feira (13) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), quando o secretário de Infraestrutura do Estado, Marcelo de Oliveira, conhecido como Marcelo Padeiro, abandonou uma audiência pública alegando que a pressão dos questionamentos de Lúdio poderia lhe causar um infarto.
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Durante conversa com jornalistas, Pivetta afirmou que o mal-estar físico e emocional do secretário de Infraestrutura foi motivado pela impossibilidade de expor, na tribuna do Legislativo, o histórico de desvios que inviabilizou a conclusão do modal ferroviário durante a gestão do ex-governador Silval Barbosa. À época, o candidato do grupo governista ao Palácio Alencastro era o próprio Lúdio Cabral, que disputou e perdeu o pleito para Mauro Mendes.
"O que o Marcelo queria dizer é que teve a eleição em 2012 e que o candidato do Silval Barbosa em 2012, possivelmente tenha usado recursos também da corrupção do VLT. É isso que o Marcelo queria dizer ontem. Eu estou falando que em 2012 teve eleição e foi exatamente no tempo em que o VLT estava sendo assaltado. E nessa eleição, o candidato a prefeito de Cuiabá foi apoiado pelo então governador Silval Barbosa. Procurem tirar as conclusões de vocês", disparou Pivetta.
Durante a audiência pública convocada por Lúdio Cabral para cobrar explicações técnicas, prazos e custos sobre a implantação do BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) na Região Metropolitana, visivelmente nervoso, Padeiro interrompeu sua fala e pediu licença para deixar o recinto, alegando risco iminente de sofrer um infarto.
"Vou pedir licença porque sou muito nervoso e têm coisas que eu quero falar, mas não vou falar e isso vai me infartar. São coisas que aconteceram e todo mundo sabe. Mas vou pedir, em nome da minha equipe, licença para eu não infartar", declarou o secretário antes de se ausentar e repassar as respostas aos técnicos da pasta.
Pivetta elogiou a conduta e a integridade de seu secretário, enfatizando que a atual gestão da Sinfra herdou um passivo problemático das obras de mobilidade urbana da Copa do Mundo de 2014, o que gera frustração acumulada na equipe técnica do Executivo.
"O Marcelo não tem nenhum histórico de malversação do dinheiro público, a trajetória dele de sete anos e meio na Sinfra é exemplar. Quanto ao BRT e VLT, nós todos sabemos que os veículos foram adquiridos antes mesmo de fazer os trilhos, o que é uma inversão completamente estranha. Depois houve delação de corrupção, de todo tipo de corrupção. Às vezes a gente fica mal de não poder falar o que sente", completou Pivetta.
Histórico de desvios confessados
O pano de fundo da acusação remete às investigações da Operação Ararath e ao acordo de colaboração premiada firmado pelo ex-governador Silval Barbosa junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). Em seus depoimentos homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Silval confessou ter chefiado uma organização criminosa que desviou cerca de R$ 1 bilhão dos cofres públicos estaduais.
O ex-governador detalhou o recebimento de R$ 18 milhões em propinas pagas pelo consórcio responsável pelo VLT, obra orçada originalmente em R$ 1,4 bilhão e que nunca foi concluída, sendo posteriormente substituída pelo BRT na atual gestão estadual. Até o momento, o deputado Lúdio Cabral não emitiu posicionamento oficial sobre as declarações de Pivetta.
Veja o vídeo:













