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19 de Setembro de 2026

19 de Setembro de 2026, 16h:22 - A | A

POLÍCIA / FÉ DEMAIS

Missionárias “dividiam” chefões da facção e uma avisou: “Vou entrar na PCE só pra ele me bater”

Denúncia do Ministério Público foi recebida contra Rhavenna Barcelos, a mãe, duas irmãs, um primo e Renildo “Velhote”, que está preso há mais de duas décadas.

Reprodução

Missionárias usavam tempo em visitas para fazer rodizio sexual em penitenciaria de Mato Grosso

Missionárias usavam tempo em visitas para fazer rodizio sexual em penitenciaria de Mato Grosso

DO REPÓRTERMT



Integrantes do grupo religioso Resgatando Vidas, que tinha acesso à Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, são apontadas pela Polícia Civil como participantes de um esquema de "rodízio sexual" com diferentes presos, alguns deles identificados nas investigações como lideranças de uma facção em Mato Grosso. 

O caso aparece em relatório técnico da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), produzido a partir da análise de dados extraídos da conta iCloud de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida.

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Em conversa do dia 4 de dezembro de 2025, Karolina Lopes Padilha diz: “Vamo ficar com ele com o louco e com o wita aí o resto a gente deixa pras meninas.

Logo depois são citados outros apelidos: “O folha, o jacaré e o Batman”. Wiara Lima Cadore acrescenta: “Com o buchudo.”

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De acordo com a Polícia Civil, “Louco” seria Sandro Louco, “Wita” seria Paulo Witer, “Batman” corresponde a Jonas Souza Gonçalves Junior e “Buchudo” a Leonardo de Jesus, todos mencionados na investigação em razão de supostos vínculos com o Comando Vermelho.

O relatório descreve a conversa como uma “distribuição jocosa de presos e lideranças entre as integrantes”, sem relação aparente com evangelização.

Ainda na mesma conversa, após Karolina dizer “Mari fica com o buchudo”, Wiara responde: “Eu não aceito, vou entrar sexta-feira na PCE só pra ele me bater.

Em outro diálogo, Wiara afirma em novembro de 2025, que pretendia visitar diferentes presos separadamente, para evitar desentendimentos entre eles.

Reprodução

Pastores do CV Rhavenna Barcelos

Família do crime: Rhavenna, o namorado "Velhote, a mãe dela Orminda, seu primo Rhuan e suas duas irmãs Anatany e Lo Rhuama.

“Gata, cada dia eu vou visitar um. Você acha que eu venho? Vou aproveitar a feriado, porque é dia de presídio. Vou aproveitar a sexta-feira, porque é dia de presídio. Gata, vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro. Então vou visitar todos”, afirmou Wiara.

A apuração da Polícia Civil sustenta que integrantes do grupo religioso mantinham contatos pessoais e amorosos com presos e lideranças, além de conversarem sobre presentes, pagamentos de despesas e visitas a determinados raios da PCE.

Projeto missionário

O caso é resultado da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em julho. Conforme já mostrou o RepórterMT, as investigações apontaram que integrantes de uma mesma família utilizavam o projeto religioso “Resgatando Vidas” para entrar em unidades prisionais. Segundo a Polícia Civil, o acesso que deveria ser destinado à assistência religiosa teria sido usado para manter contato com presos, transmitir recados e dar suporte a integrantes de uma organização criminosa.

As investigações também identificaram movimentações financeiras atribuídas a integrantes da facção, com utilização de contas de familiares e terceiros, fracionamento de recursos, depósitos e sucessivos repasses. A Polícia Civil apontou ainda indícios de que dinheiro relacionado ao grupo teria custeado viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos.

Reprodução

Rhavenna Barcelos de Almeida

Projeto missionário na PCE era fachada para os crimes.

Rhavenna é apontada na investigação como uma das principais personagens do esquema. Relatório policial mostrou registros dela aos beijos, dentro de uma unidade prisional, com Renildo Silva Rios, o “Velhote”, apontado pela investigação como uma das antigas lideranças da facção em Mato Grosso. Os documentos também registraram troca de presentes, dinheiro e contatos frequentes entre os dois.

Outra apuração revelada pelo RepórterMT mostrou que Rhavenna teria recorrido a integrantes da organização criminosa após sua casa ser furtada. Em uma das conversas analisadas pela polícia, um interlocutor informou que integrantes do grupo estavam procurando o suspeito do furto e chegou a enviar a imagem de um homem amarrado.

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O material reunido pelos investigadores também revelou conversas envolvendo integrantes do projeto religioso e presos da Penitenciária Central do Estado (PCE). A Polícia Civil identificou mensagens de teor sexual e afetivo que, segundo os investigadores, indicariam que algumas visitas extrapolavam a atividade religiosa.

Reprodução/Fantástico

Rhavenna Barcelos de Almeida

Rhavenna namorava com dois líderes de facção ao mesmo tempo, segundo o Gaeco.

Pai de Rhavenna morreu

O pastor Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna e marido de Orminda, também havia sido investigado no caso, mas não foi denunciado pelo Ministério Público porque morreu no dia 5 de setembro. A Justiça determinou que o MP apresente a certidão de óbito para posterior deliberação no processo.

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Já Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos e Lais Barbosa Lopes, indiciadas por falso testemunho, não integram o grupo dos seis réus desta ação. Conforme a decisão, o Ministério Público informou que pretende tratar separadamente de eventual acordo de não persecução penal com as quatro.

Reprodução

PASTOR NIVALDO ALMEIDA

Nivaldo de Almeida era pai de Rhavenna e morreu de câncer em Cuiabá no curso das investigações.

Rhavenna já teve a prisão preventiva decretada em procedimento cautelar separado. O juiz registrou que eventuais pedidos para revogar ou substituir a prisão deverão ser apresentados naquele processo específico.

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