KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), defendeu a abertura de uma investigação para apurar as suspeitas que envolvem o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, os fatos tornados públicos exigem uma apuração imediata, séria e aprofundada.
Na noite de segunda-feira (14), Mauro afirmou que nenhuma autoridade pode ficar imune a investigações quando há suspeitas sobre sua conduta.
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“Qualquer brasileiro pode ser investigado, seja governador, seja ex-governador, seja presidente, seja juiz, desembargador ou cidadão comum. Se há uma suspeita, você tem que investigar”, declarou após sabatina na Câmara de Dirigentes Lojistas.
Ao tratar especificamente de Alexandre de Moraes, ele disse que as informações divulgadas recentemente, somadas a questionamentos anteriores envolvendo contratos com o banqueiro Daniel Vorcaro, justificam uma apuração rigorosa.
“Ele tem que ser investigado porque repousam sobre ele, neste momento, alguns fatos que foram tornados públicos nos últimos dias, além dos que já eram públicos, de contratos e tudo mais, que, no mínimo, merecem uma investigação com profundidade e uma resposta séria à sociedade brasileira”, afirmou.
Em seguida, Mauro subiu o tom contra a exposição recorrente do Supremo em controvérsias políticas e institucionais.
“O nosso país não aguenta mais viver essa novela mexicana do STF”, disparou.
Questionado sobre a possibilidade de o Supremo entender que não existem elementos suficientes para instaurar a investigação, Mauro evitou antecipar o resultado, mas afirmou considerar evidentes os motivos para que o caso seja apurado.
“Eu não quero fazer esse tipo de ilação porque ela seria muito absurda. As evidências daquilo que foi tornado público há poucos dias mostram que, no mínimo, tem que se começar imediatamente, dentro do próprio STF ou do Senado, uma investigação com profundidade”, disse.
Mauro também foi questionado sobre a condução do caso pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. O ex-governador evitou atribuir previamente qualquer intenção ao magistrado e afirmou que aguardaria a posição do Supremo.
“Eu não quero fazer nenhum juízo de valor prematuro quanto às atitudes e às intenções do presidente Fachin. Vamos aguardar. Vai ser um dia importante”, pontuou.
Ao finalizar, o candidato ironizou a centralidade alcançada pelos ministros do Supremo no debate nacional. Segundo ele, o interesse pela sessão poderia superar até mesmo o de uma partida da Seleção Brasileira.
“Deverá ter mais audiência essa sessão do STF do que têm os jogos da Seleção Brasileira. Hoje, se perguntar aos brasileiros o nome de três jogadores da Seleção, é provável que a maioria não saiba. Agora, o nome dos ministros do STF muita gente sabe. Isso mostra que tem algo de muito errado acontecendo neste país”, declarou.
Para Mauro, uma Suprema Corte não deveria permanecer diariamente no centro das disputas políticas.
“O Supremo, a Corte, não pode ficar sendo o centro das atenções e dos debates em um país que seja minimamente civilizado”, concluiu.
Julgamento
O STF (Supremo Tribunal Federal) realiza nesta terça-feira (15) um julgamento inédito na história da Corte: pela primeira vez, os ministros vão se reunir para decidir sobre a abertura de uma investigação envolvendo um integrante do próprio tribunal. O caso envolve o ministro Alexandre de Moraes e a suposta relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Veja o vídeo:













