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20 de Outubro de 2026, 08h:11 - A | A

POLÍTICA / VEREADORES NA MIRA

Gaeco investiga corrupção e atuação do crime organizado na Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande

Operação cumpre 30 mandados e investiga 15 vereadores; eleição da Mesa já havia sido alvo de denúncias de compra de votos, cárcere privado e suposto esquema de propina.

Reprodução/ Montagem

Gaeco cumpre mandados contra vereadores de Cuiabá e Várzea Grande

Gaeco cumpre mandados contra vereadores de Cuiabá e Várzea Grande

MÁRCIA MATOS
EDUARDA FERNANDES



O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Cathedra Venalis para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande e a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a administração pública. Ao todo, 15 vereadores estão entre os investigados, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá.

A operação cumpre 30 mandados judiciais de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Na Capital, os vereadores Ilde Taques e Alex Rodrigues estão entre os alvos, conforme já noticiado pelo RepórterMT.

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Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), as investigações apontam suspeitas de atuação estruturada de um grupo que teria se dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos, práticas de corrupção e outras irregularidades envolvendo a administração municipal.

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O nome da operação, Cathedra Venalis, é uma expressão em latim que significa "cadeira venal" ou "cargo negociado", em referência às suspeitas de práticas ilícitas no exercício de funções públicas.

A investigação ocorre após uma série de denúncias envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, que reconduziu Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Casa, em maio deste ano.

Conforme noticiado pelo RepórterMT em junho, o Gaeco já havia interrogado vereadores que integraram a base de apoio à reeleição de Wanderley. O procedimento apurava denúncias de ameaça, extorsão, chantagem, corrupção ativa e cárcere privado nos bastidores da disputa pelo comando do Legislativo.

Uma denúncia encaminhada ao Gaeco apontou que parlamentares teriam sido mantidos em uma chácara no distrito da Guia, em Cuiabá, sob vigilância de seguranças armados, enquanto grandes quantias de dinheiro em espécie supostamente seriam utilizadas para garantir votos favoráveis à reeleição de Cerqueira.

A denúncia também apontava um suposto plano para cassar o mandato da prefeita Flávia Moretti (PL) e permitir que o presidente da Câmara assumisse o comando do município. A articulação, segundo o documento, estaria relacionada a um possível acordo de pagamento de propinas envolvendo a privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Várzea Grande. As acusações permanecem no campo das investigações.

A eleição realizada em 14 de maio terminou com a vitória de Wanderley Cerqueira por 12 votos a 11 contra Lucas Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita. Posteriormente, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a votação para o biênio 2027/2028 por considerar irregular a antecipação do pleito.

A operação desta terça-feira busca reunir novas provas sobre as suspeitas investigadas. Mais de 200 policiais participam das diligências, com apoio de unidades especializadas da Polícia Militar e de outras forças de segurança.

O MPMT não detalhou, no comunicado oficial, a participação individual dos investigados nem divulgou a identidade de todos os alvos dos mandados.

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