LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT
Empresas do agronegócio mato-grossense estariam por trás de repasses feitos ao desembargador afastado Dirceu dos Santos, novamente investigado pela Polícia Federal. Desta vez, por meio da Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira (8), que apura um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
As investigações, que também têm como alvos o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Castro de Oliveira, tiveram origem em dados extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e no compartilhamento de informações com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Os desdobramentos da apuração apontaram a existência de repasses sem lastro negocial comprovado, oriundos de empresas do agronegócio envolvidas em litígios agrários que tramitavam no Tribunal de Justiça.
O aprofundamento da análise bancária também identificou movimentações paralelas, incluindo a circulação de valores em espécie que ultrapassariam R$ 3,2 milhões em depósitos e saques.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre quais empresas do setor estariam envolvidas no suposto esquema.
Dirceu dos Santos já estava afastado do cargo desde março deste ano por determinação do CNJ, em meio às investigações sobre a suposta comercialização de decisões judiciais.
Segundo o Conselho, a quebra dos sigilos bancário e fiscal revelou uma evolução patrimonial incompatível com os rendimentos licitamente auferidos pelo magistrado. Conforme os dados analisados, ele movimentou mais de R$ 14,6 milhões em bens nos últimos cinco anos.
A análise detalhada das declarações de ajuste anual do Imposto de Renda apontou crescimento patrimonial expressivo, especialmente nos anos de 2021, 2022 e 2023, período que coincide com os fatos investigados.













