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Cuiabá, 08 de Junho de 2026
08 de Junho de 2026

08 de Junho de 2026, 18h:20 - A | A

POLÍCIA / CONVERSA COM GAROTO NO INSTAGRAM

Homem que matou filha de 12 anos foi autuado por feminicídio e pode pegar até 40 anos de prisão

Claudinei da Silva, de 42 anos, enganou a menina após descobrir que ela estava conversando com um menino no Instagram

VANESSA MORENO
THIAGO NOVAES
DO REPÓRTERMT



Claudinei da Silva, de 42 anos, preso em flagrante na noite desse domingo (7), acusado de matar a própria filha, de 12 anos, em Várzea Grande, foi autuado pelo crime de feminicídio, que prevê pena de 20 a 40 anos de prisão. A pena poderá ser aumentada de um terço até a metade em razão de a vítima ser menor de 14 anos. À polícia o assassino confessou que esganou a menina até jorrar sangue pelo rosto dela. Ele disse que matou a filha porque pegou o celular dela para ver as mensagens e descobriu que ela estava conversando com um menino no Instagram.

De acordo com o delegado da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias, responsável pelo caso, o assassino estava sob efeito de álcool no momento do crime, mas tinha consciência de que a força empregada ao segurar o pescoço de uma menina de 12 anos era capaz de matá-la.

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“Independente de estar sob efeito de álcool, ele tinha a consciência de que um homem forte, segurando no pescoço, fazendo uma constrição no pescoço de uma menina de 12 anos, obviamente, pode matar”, disse o delegado.

À imprensa, Nilson Farias destacou ainda que, ao ver o sangue jorrando, em vez de tentar socorrer a filha, Claudinei fugiu, pensando apenas na própria integridade e assumindo o risco de causar a morte da menina.

“Quando ele vê que espirra o sangue, ele poderia, ainda assim como um pai que ama a filha, chamar um socorro. De forma alguma, ele simplesmente se evadiu do local. Ele pensou na integridade dele, na vida dele, mas ele não pensou, na minha análise, na integridade da filha dele”, afirmou.

“Ele assumiu a responsabilidade de causar a morte dela”, acrescentou.

O crime

As investigações tiveram início após uma equipe da DHPP receber a informação sobre um possível homicídio no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande. A vítima deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Verdão, em Cuiabá, já sem vida e com diversas lesões pelo corpo, compatíveis com agressões físicas.

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Diante da gravidade do caso, os policiais, sob coordenação do delegado Nilson Farias, deram início às investigações.

De acordo com o relato da mãe da adolescente, ela foi até a casa do ex-marido por volta das 18h para buscar a filha. Após insistir diversas vezes no portão, o homem saiu da residência e afirmou que a menina não estava no local, alegando que ela estaria brincando na casa de uma vizinha.

Desconfiada da versão apresentada, a mulher percebeu que o comportamento dele era estranho. Pouco depois, o homem deixou o imóvel correndo e fugiu.

Ao entrar na residência, a mãe encontrou a filha no chão de um dos quartos, desacordada e com várias marcas de agressão pelo corpo. Com a ajuda de uma amiga, ela socorreu a adolescente e a levou para a UPA do Verdão, onde a morte foi confirmada pela equipe médica.

Após serem acionados, policiais da DHPP iniciaram as diligências e seguiram até a residência onde ocorreu o crime. No local, encontraram manchas de sangue no quarto onde a menina foi morta. Os investigadores realizaram o isolamento da área e acionaram a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para os exames periciais e levantamentos necessários.

Durante os trabalhos investigativos, a equipe recebeu a informação de que o homem havia se apresentado espontaneamente na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24 Horas de Várzea Grande.

Os policiais se deslocaram até a unidade policial e conduziram o investigado para a sede da DHPP. Após ser interrogado, ele foi autuado em flagrante por feminicídio.

Veja vídeo:

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

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