ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), rebateu hoje (28) as declarações do ex-secretário de Educação, Amauri Monge, minimizando a tese de que investigações sobre compra de materiais didáticos configurem um ataque pessoal ou uma manobra política. O chefe do Executivo assegurou que a fiscalização sobre os contratos não tem um alvo predefinido, mas busca mapear a cadeia de tomada de decisões que resultou em gastos superiores a R$ 70 milhões.
Evitando polemizar diretamente com Amauri Monge, Abilio ressaltou que as apurações internas começaram de forma sigilosa em janeiro e que dados preliminares apontaram inconsistências que justificaram a publicidade do caso.
"Ele está fazendo a defesa dele. Ele acha que a acusação é contra ele, vai lá e posiciona. A gente está levantando a situação dos livros, não é uma pessoa sozinha que toma essa decisão. Não tem como só o secretário sozinho tomar uma decisão. A gente vai apurar quem foi, quem fez as decisões, quem foi que tomou as decisões e, identificando as irregularidades, vamos buscar a devida correção para que isso não volte a acontecer nunca mais."
Abilio negou veementemente qualquer participação ou assinatura nos processos de adesão de ata que culminaram nas aquisições questionadas. O prefeito explicou que a estrutura administrativa de Cuiabá confere autonomia jurídica e orçamentária total aos chefes das pastas, que atuam formalmente como os ordenadores e executores exclusivos de suas respectivas despesas.
Segundo o prefeito, o controle do gabinete central sobre as ações dos secretários ocorre de forma retrospectiva, por meio da análise de prestações de contas e relatórios de atividades encaminhados após a consolidação dos gastos.
"Não tem minha assinatura porque o secretário tem liberdade. O secretário é executor de despesa no município. Quem é que executa a aplicação dos recursos públicos na secretaria? O próprio secretário. Então não tenho, por exemplo, como ficar sabendo antes o que o secretário vai fazer. Eu vou saber depois que ele executa: na prestação de conta, no relatório, nas atividades."
Abilio reiterou a suspeita de que houve falhas na aplicação da Lei de Licitações, apontando que o mecanismo de inexigibilidade teria sido utilizado indevidamente para comprar conteúdos gerados por inteligência artificial, o que descaracterizaria a exclusividade e exigiria um processo amplo de chamamento público.
"Se o secretário pede para comprar um livro, o setor de licitações não sabe a prioridade daquele livro... vai ver a legalidade do trâmite, a legalidade do processo. A Procuradoria vai ver se também está dentro da legalidade. A inexigibilidade para comprar livro é legal? É. Mas trata-se de autores exclusivos. Só que o autor específico de alguns casos que a gente identificou é inteligência artificial, então não tem como você comprar por inexigibilidade."
O prefeito revelou ainda que a auditoria interna sobre os contratos foi instaurada oficialmente em 28 de janeiro de 2026 e correu sob sigilo por cerca de três meses. De acordo com o gestor, a divulgação das denúncias ocorreu nesta semana porque o relatório de inteligência avançou e trouxe informações consideradas "assustadoras".
Abilio manifestou apoio à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Cuiabá para investigar o caso, informando que todo o acervo documental coletado pela prefeitura está sendo compartilhado com o Ministério Público Estadual (MPE) e com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para responsabilização legal dos executores.
"Qualquer secretário é responsável pelo orçamento que ele executa. Eu, como prefeito, nomeio o secretário, mas quem gasta o recurso não sou eu; quem aplica o recurso lá na ponta é o secretário. Eu só nomeio."
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