ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, rebateu hoje (28) em coletiva de imprensa na Câmara de Vereadores, as acusações feitas pelo prefeito Abilio Brunini (PL) sobre supostas irregularidades em contratos da pasta. Evitando o confronto político direto com o chefe do Executivo, Monge negou a existência de fraudes ou de um contrato de R$ 70 milhões para a compra excessiva de livros.
O ex-gestor afirmou estar tranquilo quanto à lisura de seus atos, destacando que aguarda manifestação das autoridades e que "quem não deve, não teme". Monge classificou as declarações do prefeito como "ilações irresponsáveis" e sustentou que o verdadeiro gargalo da Secretaria Municipal de Educação (SME) decorre da falta de repasse integral dos 25% constitucionais da receita do município para a área.
"Eu não sei que denúncia o que ele fez, mas eu prefiro aguardar ser indiciado ou qualquer coisa assim. Porque quem não deve, não teme. Eu sei exatamente o que foi feito. Falaram ontem algumas pessoas da imprensa sobre o processo do Paraná; o processo é público, eu não tenho desvio de valor público, não fui condenado em nada, exatamente porque lá também aconteceu algo aqui: ilações irresponsáveis sobre coisas que não aconteceram".
O processo no Paraná citado pelo ex-secretário refere-se a uma ação civil de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público do Estado do Paraná desde 2020, que apura indícios de fraude em um contrato de serviços educacionais firmado em 2018. Na época, Monge atuava como Secretário Regional de Educação do Consórcio de Desenvolvimento e Inovação do Norte do Paraná. A acusação sustenta que teria havido direcionamento de licitação e autorização indevida para subcontratações com o Instituto Lótus, gerando um suposto prejuízo de R$ 459,5 mil aos cofres públicos.
O caso chegou a resultar em um bloqueio de R$ 919 mil em bens do ex-gestor no início de 2022, medida que acabou suspensa posteriormente devido às mudanças na Lei de Improbidade Administrativa. No período em que assumiu a pasta em Cuiabá, Monge contou com o respaldo do prefeito Abilio, que condicionou qualquer medida a uma condenação definitiva.
Durante a entrevista, ele rechaçou o argumento de que livros didáticos comuns teriam sido faturados por valores irreais, argumentando que o material de alta tecnologia pedagógica não pode ser comparado ao mercado editorial convencional.
"Não existe livros de 800 reais no mercado. Se você comprar o livro 'Diplomacia', do Henry Kissinger, que é um dos best-sellers do mundo, não custa isso. É mais uma falácia de quem não conhece nada de educação moderna. Hoje você não compra livros isolados, você compra uma solução pedagógica: material do aluno, do professor, plataforma de apoio e formação continuada."
O que diz a prefeitura
Segundo Abilio, já há suspeitas sobre os responsáveis, mas os nomes não serão divulgados neste momento porque ainda é necessário reunir provas. Abilio afirmou ainda que parte do valor já foi paga, mas os pagamentos restantes foram suspensos após, segundo o prefeito, o valor, que não estava previsto e teria sido gasto de forma irregular, comprometeu o orçamento da Educação.
Diante disso, e também pela falta de clareza sobre a origem da demanda, ele encaminhará a documentação e as informações necessárias para a Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Estadual (MPE) e Ministério Público Federal (MPF), para apurar se houve irregularidades na aquisição do material didático.a descoberta das supostas irregularidades.
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