TJMT

Os três réus acusados pelo homicídio de Zampieri: Antônio Gomes da Silva (apontado como o atirador), Hedilerson Fialho (apontado como intermediador e fornecedor da arma) e Etevaldo Luiz Caçadini Devargas (acusado de financiar o crime)
EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT
O Tribunal do Júri dos três acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri será retomado na manhã de hoje (29), no Fórum de Cuiabá. Após o primeiro dia de julgamento, quando seis testemunhas foram ouvidas, hoje será ouvido Coraci Raimundo de Oliveira, arrolado pela defesa do réu Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de intermediar o crime. A transmissão ocorre no canal do Youtube do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Nessa terça-feira (28), foram ouvidos os delegados Nilson André Farias de Oliveira, da Polícia Civil, e Marco Bontempo, da Polícia Federal, além de José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto, Lucilene Gonçalves da Silva e Edson Ricardo Pick, também delegado da Polícia Civil.
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Entre os depoimentos de maior repercussão, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo afirmou que a última mensagem recebida no celular de Zampieri, cerca de cinco minutos após o homicídio, foi enviada pelo desembargador aposentado Sebastião de Moraes Filho. Segundo ele, o conteúdo chamou a atenção dos investigadores pelo tom de despedida e passou a integrar as linhas de apuração do caso.
Já o delegado Nilson Farias relatou que a investigação identificou ligações telefônicas entre o coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini Devargas, o executor confesso Antônio Gomes da Silva e o fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, apontado como possível mandante do crime. Conforme o delegado, também foram encontradas no celular de Caçadini fotografias da cena do assassinato, trechos do processo judicial envolvendo Aníbal e registros relacionados ao planejamento da execução.
Os réus Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini Devargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa respondem por homicídio triplamente qualificado. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Antônio efetuou os disparos que mataram o advogado, Etevaldo teria oferecido R$ 40 mil pela execução e Hedilerson intermediado o contato entre o suposto mandante e o executor.
Antes do início do julgamento, a defesa de Caçadini afirmou à imprensa que o militar é inocente, classificou-o como "preso político" e sustentou que ele nunca conheceu Roberto Zampieri.
A sessão é presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal – Justiça Militar e Tribunal do Júri da Comarca de Cuiabá.
O caso
Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, quando chegava ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Segundo as investigações, o crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, avaliada em cerca de R$ 100 milhões. O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo e sua esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, são apontados como os supostos mandantes do homicídio.
A execução do advogado também desencadeou outras investigações de grande repercussão nacional, entre elas a Operação Sisamnes, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais, e as apurações sobre o grupo autodenominado Comando C4 ("Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos"), investigado por homicídios sob encomenda.













