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16 de Setembro de 2026

16 de Setembro de 2026, 15h:13 - A | A

POLÍCIA / CASO RENATO NERY

STJ mantém prisão de policiais da Rotam acusados de forjar confronto para acobertar morte de advogado em Cuiabá

Quinta Turma rejeitou recurso por unanimidade; Justiça de Cuiabá fará nova análise dos pedidos de liberdade após manifestação do Ministério Público.

Reprodução

Policiais simularam confronto para alterar cena de crime

Policiais simularam confronto para alterar cena de crime

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT



Os policiais militares da Rotam Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso tiveram as prisões preventivas mantidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Eles são acusados da morte de Walteir Lima Cabral e das tentativas de homicídio contra Pedro Elias Santos Silva e Jhuan Maximiliano de Oliveira Matsuo Soma. A Quinta Turma rejeitou, por unanimidade, o recurso apresentado contra as prisões.

Segundo a denúncia, os crimes ocorreram em 12 de julho de 2024, no Contorno Leste, próximo ao bairro Pedra 90, em Cuiabá. O Ministério Público afirma que os policiais perseguiram as vítimas após alcançarem o VW Gol em que elas estavam.

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Jorge e Wekcerlley são acusados de perseguir e matar Walteir. Wailson é acusado de atirar com um fuzil contra o peito de Pedro, enquanto Jhuan conseguiu fugir por uma área de mata.

A acusação também sustenta que os policiais simularam um confronto e alteraram a cena do crime. Uma pistola Glock apresentada na ocorrência foi relacionada, por meio de exame balístico, ao homicídio do advogado Renato Gomes Nery, ocorrido uma semana antes, e a outro homicídio investigado em 2022. O processo, no entanto, não atribui aos quatro policiais a morte de Nery nesse julgamento.

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As defesas pediram a revogação das prisões e alegaram, entre outros pontos, que a instrução criminal havia sido encerrada. O STJ, porém, entendeu que a gravidade concreta das acusações e o risco à ordem pública justificam a manutenção das prisões. A Corte também considerou insuficientes medidas cautelares alternativas.

Em 13 de setembro, após o julgamento do STJ, o juiz João Bosco Soares da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, determinou uma nova análise dos pedidos de liberdade. Antes de decidir, abriu prazo de cinco dias para manifestação do Ministério Público e determinou que o STJ seja comunicado de que a fase de instrução foi encerrada. Até uma nova decisão, as prisões permanecem válidas.

O juiz também autorizou diligências solicitadas pelas defesas, entre elas a obtenção dos registros de GPS da viatura utilizada na madrugada do crime, a juntada do Inquérito Policial nº 35/2022, relacionado à trajetória da pistola Glock, e a consulta sobre eventual compra de simulacro ou réplica de arma por Pedro Elias. Também foi admitido um vídeo apresentado pela defesa.

O elo com a execução do advogado Renato Nery

O ponto central detalhado pelo Ministério Público no documento é a conexão balística entre a ocorrência simulada e o assassinato do advogado Renato Gomes Nery, executado a tiros em frente ao seu escritório em Cuiabá em julho de 2024.

Reprodução

Caso Nery

Renato Nery, de 72 anos, foi morto a tiros em frente ao escritório dele, em Cuiabá, em julho de 2024

A perícia técnica confirmou que a pistola Glock (calibre 9mm, número de série VPL 521), apresentada pelos policiais como se pertencesse aos ocupantes do veículo abordado, era, na verdade, a exata arma utilizada na morte de Renato Nery apenas sete dias antes.

Além disso, munições encontradas no homicídio do jurista pertenciam a lotes institucionais adquiridos pelo Estado de Mato Grosso e fornecidos especificamente ao Batalhão da Rotam.

Para a promotoria, a intervenção policial foi forçada com o objetivo claro de "legalizar" e introduzir formalmente a pistola Glock no mundo jurídico após uma suposta quebra deliberada da cadeia de custódia, quando os policiais retiraram as armas do local antes da perícia técnica. O intuito seria ocultar e assegurar a impunidade dos verdadeiros executores e mandantes da morte do advogado.

O grupo do "Gol Branco"

Os documentos também trazem trechos de investigações telemáticas extraídas dos celulares dos policiais, que revelaram a criação de um grupo no WhatsApp denominado "Gol Branco" logo após os fatos. Nas mensagens anexadas ao processo, o comando e os policiais combinavam versões para manter o boletim de ocorrência original.

O MPMT aponta que os réus incorreram nos crimes de homicídio qualificado consumado, homicídios qualificados tentados, abuso de autoridade, falsidade ideológica e fraude processual, com qualificadoras de motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas e a tentativa de assegurar a impunidade de outro crime.

Com o encerramento da fase de instrução e a apresentação dos memoriais, o processo segue concluso para que o juiz da 14ª Vara Criminal decida sobre a pronúncia dos policiais para o Tribunal do Júri.

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