Montagem/RepórterMT

BMW 530i conduzida por Hercílio Junio Freitas Cordeiro será submetida a perícia para esclarecer as circunstâncias da batida que matou Paulo Messias Simão Costa
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O juiz da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, André Barbosa Guanaes Simões, pediu, nessa quinta-feira (8), informações sobre a perícia no BMW 530i conduzido por Hercílio Junio Freitas Cordeiro para esclarecer a dinâmica da batida que matou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, na madrugada do dia 30 de agosto deste ano, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá.
Entre os pontos a serem investigados está a atuação do motorista sobre o acelerador e o freio antes da colisão.
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“Oficie-se à autoridade policial responsável pela investigação para que, no prazo de 15 (quinze) dias, salvo comprovada impossibilidade técnica, providencie e encaminhe a estes autos: (...) informação acerca da apreensão formal e da perícia do veículo BMW 530i, placa PAT-8C39, recolhido ao pátio da SEMOB, adotando-se as providências necessárias à sua adequada preservação e, sendo tecnicamente possível, à extração dos dados armazenados no módulo de airbag, especialmente aqueles relacionados à velocidade pré-colisão e ao acionamento do acelerador e do sistema de frenagem”, determinou o magistrado.
A determinação consta em decisão na qual André Simões recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e tornou réu o motorista pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, omissão de socorro por duas vezes, afastamento do local do acidente também por duas vezes e condução de veículo sob influência de álcool e sem habilitação.
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Além da morte de Paulo Simão, Hercílio responde pela tentativa de homicídio contra o motociclista Guilherme Nunes Medeiros, que, na mesma madrugada, estava parado no cruzamento das avenidas Isaac Póvoas e Presidente Marques, aguardando a abertura do sinal, quando foi atingido por Hercílio, que dirigia em alta velocidade. Com o impacto, Guilherme foi arremessado a alguns metros e ficou ferido.
Conforme a decisão, a Polícia Civil deverá informar, no prazo de 15 dias, sobre a apreensão formal e a realização de perícia no veículo, que está recolhido no pátio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob). O juiz também determinou que sejam adotadas providências para preservar o automóvel e, se houver viabilidade técnica, extrair os dados armazenados no módulo de airbag.
O exame deverá buscar informações armazenadas no módulo de segurança da BMW, especialmente aquelas relacionadas à velocidade do veículo imediatamente antes da batida que matou Paulo Simão e ao acionamento do acelerador e do sistema de frenagem.
O carro não poderá ser liberado até nova determinação judicial.
Na mesma decisão, o juiz manteve a prisão preventiva de Hercílio, que havia sido decretada em 4 de setembro.
O crime
Na noite de 29 de agosto de 2026, Hercílio Junio Freitas Cordeiro foi a uma casa noturna na Rua 24 de Outubro, em Cuiabá, onde permaneceu até o início da madrugada do dia seguinte.
Segundo funcionários do estabelecimento, ele já chegou ao local apresentando sinais de embriaguez, como falta de equilíbrio, fala arrastada, odor de álcool e comportamento agressivo. Durante a permanência na casa noturna, ingeriu mais bebida alcoólica, ficou ainda mais alterado, discutiu com a esposa e quebrou um copo dentro do estabelecimento.
Após a confusão, Hercílio foi retirado do local pelos seguranças. Ele deixou a casa noturna alterado, proferindo palavras de baixo calão e reclamando do estabelecimento.
Mesmo após consumir bebida alcoólica e embora não tivesse habilitação para dirigir, Hercílio pegou a chave da BMW 530i e deixou o estacionamento de forma abrupta, “cantando pneu”, segundo os relatos reunidos na investigação. A esposa o havia advertido, naquele momento, de que ele não possuía habilitação.
Por volta das 00h45 do dia 30 de agosto, Hercílio seguia pela Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, conduzindo a BMW.
Ao se aproximar do cruzamento da Avenida Isaac Póvoas com a Avenida Presidente Marques, o semáforo estava vermelho para o sentido em que ele trafegava. Hercílio não parou e atingiu a traseira da motocicleta conduzida por Guilherme Nunes Medeiros, que estava parado no semáforo, aguardando a abertura do sinal.
Com a batida, Guilherme foi arremessado a alguns metros e caiu no chão, sofrendo lesões.
Hercílio não parou para verificar o estado de Guilherme nem prestou socorro. Ele apenas reduziu a velocidade para desviar da motocicleta caída e continuou dirigindo.
Em seguida, aumentou ainda mais a velocidade. Às 00h45min47s, um equipamento de fiscalização eletrônica instalado no cruzamento da Avenida Isaac Póvoas com a Rua Barão de Melgaço registrou a BMW a 177 km/h. Após o desconto da margem de tolerância, a velocidade considerada foi de 165 km/h. O limite permitido naquele trecho era de 50 km/h.
Cerca de 700 metros depois, Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, trafegava pela Avenida Isaac Póvoas em uma motocicleta.
Paulo havia entrado regularmente na avenida após fazer uma conversão à direita e seguia pela terceira faixa de rolamento, com o semáforo aberto para ele. A motocicleta estava com a iluminação traseira funcionando. A via estava iluminada e sinalizada, com o asfalto seco e sem chuva.
Hercílio seguia pela segunda faixa. Ele ultrapassou outro veículo, mudou para a terceira faixa, justamente onde estava a motocicleta de Paulo, e acelerou ainda mais.
Sem frear ou fazer uma manobra para desviar, a BMW atingiu a traseira da motocicleta.
A batida lançou Paulo a mais de dez metros de distância. A motocicleta ficou presa ao carro e foi arrastada por aproximadamente 30 metros.
Paulo sofreu graves lesões e morreu no local.
Após atropelar e matar a vítima, Hercílio acionou o pisca-alerta, mas novamente não parou nem prestou socorro.
Ele continuou dirigindo até a Rua Clóvis Hugueney, nas proximidades do Hospital Municipal Santa Casa. A BMW, que estava danificada e com os airbags acionados, parou no local.
Hercílio abandonou o veículo ligado e fugiu a pé em direção ao Morro da Luz.
Dentro do automóvel, foram encontrados documentos em nome de Hercílio e com seu endereço.
Ele permaneceu foragido e só se apresentou à polícia na noite de 3 de setembro, acompanhado de advogado, quando já não era mais possível verificar seu estado de embriaguez.
Hercílio teria relatado à esposa que tentou dirigir mais rápido para chegar em casa.
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