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08 de Outubro de 2026

08 de Outubro de 2026, 09h:08 - A | A

POLÍCIA / HISTÓRICO DE INFRAÇÕES

Playboy da BMW que matou motociclista já circulava a 150 km/h pelas ruas de Cuiabá semanas antes do atropelamento

Segundo o Ministério Público, BMW usada no atropelamento já havia sido flagrada em excesso de velocidade várias vezes antes da morte de Paulo Messias Simão Costa

Reprodução

Hercílio Junio Freitas Cordeiro conduzia a BMW 530i quando atropelou e matou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, em Cuiabá

Hercílio Junio Freitas Cordeiro conduzia a BMW 530i quando atropelou e matou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, em Cuiabá

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



Hercílio Junio Freitas Cordeiro, que atropelou e matou o motociclista Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, na madrugada de 30 de agosto deste ano, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, já circulava pelas vias da cidade em alta velocidade havia semanas, com a BMW 530i utilizada no crime.

De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Hercílio possui várias autuações por excesso de velocidade. Em algumas delas, o carro foi flagrado a até 150 km/h em trechos onde o limite permitido variava entre 40 km/h e 60 km/h.

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Ainda segundo o MPMT, as infrações ocorreram sempre no período noturno ou de madrugada.

Também no dia 30 de agosto, antes de atropelar e matar Paulo Simão, Hercílio atingiu o motociclista Guilherme Nunes Medeiros, que estava parado em um semáforo no cruzamento das avenidas Isaac Póvoas e Presidente Marques, aguardando a abertura do sinal. Com o impacto, Guilherme foi arremessado a alguns metros e ficou ferido. Após atingir Guilherme, Hercílio não parou para prestar socorro e fugiu do local.

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Em seguida, o motorista continuou em alta velocidade e chegou a ser registrado a 177 km/h, ou 165 km/h de velocidade considerada após o desconto da margem de tolerância.

Cerca de 700 metros adiante, Hercílio atropelou Paulo Messias Simão Costa, que trafegava de motocicleta pela Avenida Isaac Póvoas. Com o impacto, Paulo foi arremessado a mais de dez metros e morreu no local.

Após a batida, Hercílio novamente não prestou socorro e fugiu.

O motorista foi denunciado por homicídio qualificado pela morte de Paulo, tentativa de homicídio qualificado contra Guilherme, além de omissão de socorro por duas vezes e de se afastar dos locais dos acidentes para fugir da responsabilidade penal, também por duas vezes.

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À Justiça, o Ministério Público pede o recebimento da denúncia e que, em caso de condenação, a sentença fixe o valor mínimo de R$ 1 milhão para a reparação dos danos físicos, materiais e psíquicos sofridos pela vítima sobrevivente e do sofrimento causado aos familiares da vítima fatal.

A denúncia foi assinada pela promotora de Justiça Élide Manzini de Campos.

O crime

Na noite de 29 de agosto de 2026, Hercílio Junio Freitas Cordeiro foi a uma casa noturna, na Rua 24 de Outubro, em Cuiabá, onde permaneceu até o início da madrugada do dia seguinte.

Segundo funcionários do estabelecimento, ele já chegou ao local apresentando sinais de embriaguez, como falta de equilíbrio, fala arrastada, odor de álcool e comportamento agressivo. Durante a permanência na casa noturna, ingeriu mais bebida alcoólica, ficou ainda mais alterado, discutiu com a esposa e quebrou um copo dentro do estabelecimento.

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Após a confusão, Hercílio foi retirado do local pelos seguranças. Ele deixou a casa noturna alterado, proferindo palavras de baixo calão e reclamando do estabelecimento.

Mesmo após consumir bebida alcoólica e embora não tivesse habilitação para dirigir, Hercílio pegou a chave da BMW 530i e deixou o estacionamento de forma abrupta, "cantando pneu", segundo os relatos reunidos na investigação. A esposa o havia advertido naquele momento de que ele não possuía habilitação.

Por volta das 00h45min do dia 30 de agosto, Hercílio seguia pela Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, conduzindo a BMW.

Ao se aproximar do cruzamento da Avenida Isaac Póvoas com a Avenida Presidente Marques, o semáforo estava vermelho para o sentido em que ele trafegava. Hercílio não parou e atingiu a traseira da motocicleta conduzida por Guilherme Nunes Medeiros, que estava parado no semáforo aguardando a abertura do sinal.

Com a batida, Guilherme foi arremessado a alguns metros e caiu no chão, sofrendo lesões.

Hercílio não parou para verificar o estado de Guilherme nem prestou socorro. Ele apenas reduziu a velocidade para desviar da motocicleta caída e continuou dirigindo.

Em seguida, aumentou ainda mais a velocidade. Às 00h45min47s, um equipamento de fiscalização eletrônica instalado no cruzamento da Avenida Isaac Póvoas com a Rua Barão de Melgaço registrou a BMW a 177 km/h. Após o desconto da margem de tolerância, a velocidade considerada foi de 165 km/h. O limite permitido naquele trecho era de 50 km/h.

Cerca de 700 metros depois, Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos, trafegava pela Avenida Isaac Póvoas em uma motocicleta.

Paulo havia entrado regularmente na avenida após fazer uma conversão à direita e seguia pela terceira faixa de rolamento, com o semáforo aberto para ele. A motocicleta estava com a iluminação traseira funcionando. A via estava iluminada, sinalizada, com o asfalto seco e sem chuva.

Hercílio seguia pela segunda faixa. Ele ultrapassou outro veículo, mudou para a terceira faixa, justamente onde estava a motocicleta de Paulo, e acelerou ainda mais.

Sem frear ou fazer uma manobra para desviar, a BMW atingiu a traseira da motocicleta.

A batida lançou Paulo a mais de dez metros de distância. A motocicleta ficou presa ao carro e foi arrastada por aproximadamente 30 metros.

Paulo sofreu graves lesões e morreu no local.

Após atropelar e matar a vítima, Hercílio acionou o pisca-alerta, mas novamente não parou nem prestou socorro.

Ele continuou dirigindo até a Rua Clóvis Hugueney, nas proximidades do Hospital Municipal Santa Casa. A BMW, que estava danificada e com os airbags acionados, parou no local.

Hercílio abandonou o veículo ligado e fugiu a pé em direção ao Morro da Luz.

Dentro do automóvel foram encontrados documentos em nome de Hercílio e com seu endereço.

Ele permaneceu foragido e só se apresentou à polícia na noite de 3 de setembro, acompanhado de advogado, quando não era mais possível verificar seu estado de embriaguez.

Hercílio teria relatado à esposa que tentou dirigir mais rápido para chegar em casa.

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