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13 de Março de 2026, 09h:34 - A | A

POLÍCIA / CASO RENATO NERY

Investigação revela que assassinato de advogado em Cuiabá custou R$ 215 mil

Polícia Civil identificou os valores após quebra de sigilo bancário

Reprodução

Renato Nery foi assassinado em julho de 2024, em Cuiabá

Renato Nery foi assassinado em julho de 2024, em Cuiabá

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



Investigações da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) identificaram que o advogado Renato Nery foi assassinado, em julho de 2024, mediante o pagamento de R$ 215 mil. Ao longo das investigações, a Polícia Civil pediu a quebra de sigilo bancário, que foi autorizada pelo Poder Judiciário. Assim, foi possível identificar o fluxo financeiro utilizado para o pagamento do crime.

Análises demonstram que Julinere Goulart Bentos, apontada como mandante do crime, realizou, no dia 24 de março daquele ano, transferências que totalizaram R$ 200 mil. Os valores passaram inicialmente por contas de terceiros, a fim de ocultar o destino final do dinheiro.

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As investigações apontam ainda que o policial militar Jackson Barbosa, indicado como um dos intermediários do crime, evitou receber valores em sua própria conta, e o dinheiro foi movimentado por outras pessoas. Dos R$ 200 mil, cerca de R$ 115 mil foram utilizados no dia 5 de março daquele ano para a compra de uma Mercedes-Benz, registrada em nome de terceiros.

No mesmo dia, R$ 40 mil foram transferidos para a conta da mãe de Jackson, enquanto o restante do dinheiro foi encaminhado à conta dele no dia 6 de março.

Além disso, no dia 8 de março, Julinere realizou um pagamento direto de R$ 15 mil a Jackson Barbosa, alcançando o valor total de R$ 215 mil movimentados em razão do assassinato de Renato Nery.

As movimentações financeiras coincidem com os depoimentos do policial militar Heron Teixeira, que também atuou como intermediário do crime, e de Alex Roberto, que executou o advogado.

As investigações identificaram ainda que Jackson Barbosa tentou ocultar a origem dos valores utilizando outras pessoas e movimentações financeiras fracionadas, práticas que configuram o crime de lavagem de dinheiro.

A DHPP continua investigando o caso, que tramita em sigilo.

O assassinato de Renato Nery

O advogado Renato Nery, de 72 anos, foi assassinado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por sete tiros, chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu na madrugada do dia seguinte.

A motivação seria uma disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares localizada no município de Novo São Joaquim. Após décadas, Renato Nery tornou-se coproprietário da terra, o que teria causado insatisfação no casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, de Primavera do Leste (a 234 km de Cuiabá), apontados como mandantes do crime.

As investigações também identificaram a participação dos policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, que teriam atuado como intermediários.

O executor foi identificado como Alex Roberto de Queiroz Silva.

O crime teria sido executado mediante promessa de pagamento de R$ 215 mil.

Todos estão presos, mas ainda não foram condenados.

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