THIAGO NOVAES
DO REPÓRTERMT
Ângela Maria Santana, alvo da Operação Speakeasy, deflagrada na manhã de hoje (26), tentou esconder R$ 18 mil durante o cumprimento de mandado, mas acabou presa em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Ela arremessou um calhamaço de dinheiro vivo pela janela do closet, mas a artimanha foi descoberta pelos policiais. A Speakeasy investiga investiga um esquema estruturado de lavagem de dinheiro ligado a uma facção criminosa em Mato Grosso.
De acordo com o relatório da ação, durante o cumprimento dos mandados, Ângela pediu para ir trocar de roupa, sendo acompanhada pela equipe. Ao entrar no closet, ela ficou sozinha por alguns instantes e, nesse intervalo, aproveitou para jogar o dinheiro no telhado da casa, próximo à calha.
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Após trocar de roupa, os policiais retomaram as buscas no cômodo e passaram a verificar áreas próximas à janela e à cobertura do imóvel. Durante a vistoria, os agentes localizaram a quantia de R$ 18.160 na calha. Questionada sobre a origem e o motivo de o dinheiro estar ali, Ângela admitiu que havia ocultado o valor enquanto se trocava.
A ação foi realizada por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), que cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão contra ela e o companheiro, Edinilton Freitas de Melo, de 51 anos, policial militar aposentado.
Conforme o documento, os agentes chegaram ao imóvel por volta das 6h e, após não serem atendidos, precisaram arrombar o portão para entrar na residência, localizada no bairro Canelas.
Durante as buscas, foram apreendidos ainda 84 dólares, dois aparelhos celulares, além de uma pistola calibre 9mm, carregadores e munições.
Também foram recolhidos três veículos encontrados na casa: um Honda HR-V, um Chevrolet Prisma e uma Toyota Hilux.
Os dois foram encaminhados à delegacia, onde permanecem à disposição da Justiça.
Esquema de R$ 200 milhões
Segundo a Polícia Civil, o grupo era responsável por movimentar e ocultar valores ilícitos, principalmente provenientes de atividades criminosas, utilizando empresas de fachada para dar aparência legal ao dinheiro.
As investigações apontam que, entre 2021 e 2025, o esquema movimentou cerca de R$ 200 milhões. Para isso, os envolvidos utilizavam empresas registradas em nome de terceiros ou sem atividade real, especialmente nos ramos de distribuição de bebidas, comércio de joias e venda de eletrônicos.
Ainda conforme a polícia, os investigados atuavam sob o comando direto de líderes da facção, alguns presos e outros foragidos da Justiça. Parte do grupo era formada por integrantes da organização criminosa, enquanto outros participavam como operadores financeiros, responsáveis por movimentar e “legalizar” os valores.
Os suspeitos levavam uma vida de alto padrão, com veículos e imóveis de luxo, mesmo sem possuir renda declarada compatível, o que levantou suspeitas e ajudou a polícia a identificar o esquema.
Ao todo, a operação cumpre 100 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, buscas e apreensões, bloqueios de contas bancárias e sequestro de bens em diversas cidades de Mato Grosso e também em outros estados.













