RepórterMT/Reprodução

O delegado Flávio Stringueta deve definir a equipe responsável até o fim desta semana.
LUIS VINICIUS
DA REDAÇÃO
O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nomeou o delegado Flávio Henrique Stringueta para comandar uma força-tarefa criada para investigar a conduta de policiais acusados de envolvimento em sistema de escutas telefônicas ilegais, monitoradas tanto pela Polícia Militar como Polícia Civil de Mato Grosso. A decisão foi proferida na manhã desta quarta-feira (31).
A ação tem como objetivo investigar a participação de policiais nas ações de escutas clandestinas, de políticos, advogados, agentes públicos e jornalistas, que tiveram suas linhas telefônicas inseridas ilegalmente em pedido de interceptação telefônica, como se fizessem parte de uma quadrilha de tráfico de drogas internacional, da qual participariam policiais. Este sistema de inclusão ilegal é conhecido como "barriga de aluguel".
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
De acordo com informações, o delegado deverá montar a sua equipe até o final desta semana. No entanto, Stringuetta disse ao
que ainda não sabe se a investigação ocorrerá junto ao Inquérito Polícial Militar (IMP) que é comandado pelo coronel da reserva da Polícia Militar, Jorge Catarino Morais Ribeiro.
Na segunda-feira (30) desembargador Orlando Perri, responsável pelo processo judicial a respeito, decretou o sigilo das investigações. O motivo usado por Perri é que pessoas com prerrogativa de foro privilegiado são suspeitas de participação direta e indireta nos casos de escutas ilegais tanto da Polícia Militar quanto da Polícia Civil.
Orlando Perri é o relator da notícia-crime encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT) para apurar o esquema das interceptações telefônicas em Mato Grosso. O desembargador foi sorteado na última quinta-feira (25) para conduzir o caso.
Stringueta atuava na Delegacia Especializada de Estelionado da Polícia Civil, para onde foi remanejado no início do ano, após ser afastado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
O caso
O sistema de escutas clandestinas foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário de Segurança do Estado. Ele afirma que o mesmo era operado pela Polícia Militar, de 2014 a 2015, com o conhecimento do então comandante-geral, Zaqueu Barbosa.
Desta forma, o juiz Marcos Faleiros determinou a prisão do coronel e também do cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correa Junior, apontado como operador do sistema ilícito.
Zaqueu está detido no Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam), também desde a última terça-feira (23). Já o cabo, está detido no Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam).
De acordo com Faleiros, foi o cabo Gerson Luiz quem fez o pedido à Justiça para interceptar números de linhas telefônicas, justificando que seriam de pessoas ligadas à uma rede de tráfico internacional de drogas. O cabo atuava no Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. Atualmente ele estava lotado na Casa Militar do Estado.
O magistrado entendeu que as prisões são necessárias, uma vez que os militares possuem influência e poderia atuar no encobrimento das provas.
Juíza Selma Arruda denuncia
Nesta semana, a Corregedoria da Polícia Civil abriu um procedimento para investigar a delegada Alana Cardoso, que foi citada pela juíza titular da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda como suspeita de participação em sistema “barriga de aluguel”, por pedir de forma supostamente irregular a interceptação telefônica de dois alvos durante a Operação Fortis, realizada no ano de 2015 pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
A delegada teria solicitado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a interceptação ilegal dos telefones, que pertenciam às ex-funcionárias da Casa Civil Tatiana Sangalli Padilha e Caroline Mariano dos Santos. A primeira também foi alvo de interceptação clandestina que seria monitorada pela Polícia Militar.
Segundo as informações da magistrada, os números da Tatiana Sangalli e Caroline Mariano foram inseridos no segundo pedido da “Operação Forti”, em fevereiro de 2015, comandada pela Inteligência da Policia Judiciária Civil e que investigava crimes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho de Mato Grosso (CVMT).
Leia mais
Coronel Zaqueu mandou grampear celulares em MT; juiz prevê até 5 anos de cadeia
Juiz manda prender coronel Zaqueu e cabo da PM por envolvimento em escutas ilegais
Coronel da PM fez contato com juízes para obter escutas ilegais
TJ aprofunda investigação e quer dados das operadoras de telefonia













