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23 de Junho de 2020, 12h:40 - A | A

PODERES / ESQUEMA NA EDUCAÇÃO

Secretário e ex-secretário tiveram casas e empresas vasculhadas em Cuiabá

A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) realizaram busca e apreensão na Ceteps, Kasual e AB3

RepórterMT/Reprodução

Secretário Akex Passos foi afastado pelo prefeito Emanuel Pinheiro

Secretário Akex Passos foi afastado pelo prefeito Emanuel Pinheiro

MAJU SOUZA
DA REDACÃO



A Operação Overlap, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (23), cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas do secretário de Educação de Cuiabá, Alex Vieira Passo e do ex-secretário Rafael Cotrim, assim como em três empresas de propriedade deles, localizadas em Cuiabá.

Conforme apurou o , a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) realizaram buscas na Ceteps (Centro de Tecnologia e de Educação Profissional), no bairro Boa Esperança, Kasual Incorporadora e Construtora, no bairro Bosque da Saúde, e AB3 Imobiliária e Construtora LTDA, no bairro Santa Cruz.

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 A Operação investiga um desvio de cerca de R$ 900 mil, por meio de obras da Secretária Municipal de Educação de Cuiabá.

Segundo a delegada da GCCO, Juliana Chiquito Palhares, as empresas estão ligadas aos alvos, e nos locais foram apreendidos documentos, celulares e computadores. Além disso, um mandado de afastamento do cargo foi expedido para Alex Vieira, já cumprido pelo prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). 

As ordens de busca e de bloqueio de valores foram decretadas pela 7ª Vara Criminal da Capital e foram cumpridas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Campo Grande (MS). A operação contou com apoio e atuação da Polícia Civil de MS.

Overlap

O Inquérito Policial foi iniciado após informações de que em 2017, o então secretário municipal de Educação, Rafael Cotrim teria recebido valores indevidos por meio de suas empresas, sendo posteriormente detectado se tratar de empresas ligadas diretamente ao atual secretário no cargo.

Analistas identificaram que uma empresa contratada no ano de 2017 para a reforma da creche CMEI – Joana Mont Serrat Spindola Silva, localizada no bairro CPA III, em Cuiabá, teria como real proprietário o atual secretário municipal de educação, que foi o ordenador de despesas responsável por determinar a maior parte dos pagamentos relacionados ao contrato (178/2017).

De acordo com as investigações, o contrato nº 178/2017 teria por objetivo concluir a obra iniciada por meio do contrato nº 5979/2012, porém durante as análises, de imediato, foi detectado provável duplicidade de itens licitados. Os valores chegam à monta de R$ 249.451,00 em custos executados no contrato 178/2017, que já constavam como executados no contrato 5979/2012, porém foram executados novamente de forma integral ou parcial.

Em análise das informações, se somados o valor do contrato nº 5979/2012 (R$ 1.208.321,93), com o valor pago no contrato nº178/2017 (R$1.096.248,81), chega-se ao valor total de R$ 2.304.570,74, para uma obra que tinha como custo inicial R$ 1.432.300,00, ou seja, uma diferença de R$ 872.270,74, superando em pouco mais de 60% do valor inicialmente licitado em 2012.

Os investigadores buscam, agora, localizar novos elementos que vinculem os suspeitos às empresas, bem como documentos que indiquem a prática de atos ilícitos antecedentes à lavagem de capitais, vez que restou identificado movimentação suspeita de R$ 1 milhão.

As investigações indicam o cometimento dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa, cujas penas somadas ultrapassam os 20 anos de reclusão.

A operação coordenada pela delegada da GCCO, Juliana Chiquito Palhares e o delegado da Deccor, Luiz Henrique Damasceno, responsáveis pelas representações das medidas, conta com a participação de nove delegados de Polícia, 40 investigadores e dez escrivães.

A operação contou com o apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo Armado de Repressão a Roubos a Banco e Resgate a Assaltos (Garras).

 

O nome Overlap indica a sobreposição de itens licitados, pois as investigações apontaram duplicidade nas licitações identificadas, fazendo com que o município pagasse duas vezes pelo mesmo serviço.

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