KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
Um relatório técnico da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Derf), ao qual o
teve acesso, mostram a “missionária” Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, filha dos pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, aos beijos com Renildo Silva Rios, conhecido como “Veio”, “Velhote” ou “Chapa”, apontado como um dos fundadores de uma facção em Mato Grosso e, atualmente, preso na Penitenciária Central do Estado (PCE).
As imagens que constam no documento foram produzidas no contexto das atividades do projeto religioso “Resgatando Vidas”, utilizado por Rhavenna para ter acesso a unidades prisionais. De acordo com a investigação, ela se relacionava com Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido como “Batman”, e também passou a manter uma relação íntima com Renildo, que está preso há mais de 20 anos por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
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As fotografias mostram os dois aos beijos no interior da unidade prisional. Também há um registro de Orminda, mãe de Rhavenna, ao lado de Renildo.
Para os investigadores, os registros reforçam a suspeita de que a aproximação entre Rhavenna e o preso teria ultrapassado a assistência religiosa e assumido caráter pessoal e afetivo, envolvendo também uma relação próxima com uma liderança da facção. A investigação aponta ainda que o projeto “Resgatando Vidas” teria sido desvirtuado.
Vida bandida
O relatório também reúne diversos registros de chamadas de vídeo feitas por Renildo de dentro da prisão. Segundo a investigação, Renildo e Rhavenna mantinham comunicação frequente durante o período de encarceramento, inclusive por chamadas de vídeo e fora dos canais oficiais do sistema prisional.
Entre os registros estão imagens relacionadas ao Dia dos Namorados, nas quais Renildo aparece em uma videochamada homenageando Rhavenna com flores, cesta, caixa de presente com rolos de cédulas de R$ 100, passagem de viagem e um cartão com fotografia do casal. Também foram encontrados registros de alianças, uma pulseira personalizada com as iniciais “RR” e a disponibilização de um veículo.
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A investigação aponta ainda que Rhavenna teria tatuado a letra “R” na lombar e utilizado uma peça íntima personalizada com o apelido “Velhote”, associado a Renildo. Além disso, o relatório afirma que, mesmo preso, Renildo teria enviado à investigada presentes como joias e um veículo.
Ligação com facção
Outro conjunto de imagens analisado pelos investigadores mostra Rhavenna, pessoas próximas a ela e outros investigados utilizando camisetas do time Unidos do VG Chapadão, equipe que, conforme os elementos reunidos na investigação, estaria relacionada a Renildo.
Também foram localizadas fotografias e vídeos com grandes quantias de dinheiro em espécie e peças de ouro. Em alguns registros, Rhavenna aparece utilizando anéis de ouro e um cordão com a inscrição “Unidos VG Chapadão”.
O relatório ressalta que não é possível atribuir, isoladamente, a propriedade de todo o dinheiro e dos bens a Rhavenna. Porém, segundo a investigação, o material armazenado em sua nuvem, analisado em conjunto com os demais elementos, reforçaria a suspeita de sua inserção em um contexto de guarda, circulação e ostentação de valores e bens relacionados ao grupo investigado.
Investigação
Atualmente, Rhavenna está presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, enquanto Renildo permanece na PCE. Conforme noticiado anteriormente pelo
, Rhavenna, Renildo e Orminda, mãe da investigada, foram denunciados pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por suposto envolvimento com organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), Rhavenna e familiares recebiam, guardavam e movimentavam valores atribuídos a integrantes da facção, inclusive presos. O caso é investigado no âmbito da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil no dia 16 de julho.
























