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15 de Setembro de 2026, 09h:54 - A | A

POLÍCIA / DADOS ALARMANTES

37 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2026

Só em setembro, três mulheres já foram assassinadas

Agencia Brasil

37 mulheres já foram assassinadas em Mato Grosso este ano

37 mulheres já foram assassinadas em Mato Grosso este ano

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



Mato Grosso já registrou 37 vítimas de feminicídio este ano. Só neste mês, três mulheres já foram assassinadas por razões da condição do sexo feminino. Os últimos crimes ocorreram em Araguaiana (a 565 km de Cuiabá), no dia 2 de setembro; em Feliz Natal (a 543 km de Cuiabá), no dia 6; e em Aripuanã (a 998 km de Cuiabá), no último domingo, dia 13.

Os meses mais violentos até o momento foram março e junho, com sete mortes cada, seguidos de maio e agosto, com cinco mortes.

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Janeiro e abril registraram três vítimas cada, enquanto fevereiro e julho tiveram duas vítimas.

Os dados são do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).

Casos de setembro

O primeiro feminicídio de setembro foi registrado no dia 2. Suenilda Vieira, de 37 anos, foi assassinada a tiros pelo marido, Fábio Júnior Januário Dias, de 42 anos, em Araguaiana.

Fábio já havia sido denunciado por violência doméstica contra ela em 2013, mas a vítima não tinha medida protetiva. Ele foi morto em confronto com policiais militares da Força Tática.

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No dia 6, Mirela dos Santos Kaluzny, de 28 anos, foi assassinada a facadas dentro de uma casa na Rua das Orquídeas, em Feliz Natal. Câmeras de segurança flagraram o momento em que ela foi levada para dentro do imóvel por um homem, durante a madrugada. Cerca de sete minutos depois, ele saiu do local sozinho.

Horas depois, ela foi encontrada morta dentro da casa por uma vizinha. O autor do crime, Carlo Alves Soares, de 43 anos, foi encontrado escondido no corredor externo da residência. Ele estava bêbado e contou à Polícia Militar que discutiu com Mirela, confessando ter atacado a vítima com uma faca.

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No último domingo, Lorrayne dos Reis Correia, de 28 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-namorado, Julio Moreira dos Santos, de 39 anos, no distrito de Conselvan, em Aripuanã. O namorado dela, Willian Richieri Pereira, de 36 anos, também foi assassinado.

As vítimas foram atingidas na cabeça.

O feminicida confessou o crime. Relatos de testemunhas apontam que Lorrayne já havia sido ameaçada de morte por ele em uma festa, na noite anterior.

Em maio deste ano, Júlio já havia esfaqueado outro ex-namorado de Lorrayne. Ele chegou a ser preso, mas foi liberado no mesmo dia.

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Ranking de municípios

Cuiabá é o município com maior número de feminicídios em 2026, com cinco vítimas.

Várzea Grande e Vila Bela da Santíssima Trindade aparecem na sequência, com três casos cada. Tangará da Serra, Poconé, Nova Bandeirantes e Aripuanã registram dois feminicídios.

Outros 17 municípios contabilizam uma vítima cada: Tapurah, Sinop, São José do Xingu, Rondonópolis, Poxoréu, Porto dos Gaúchos, Nova Maringá, Matupá, Lucas do Rio Verde, Itaúba, Guarantã do Norte, Confresa, Chapada dos Guimarães, Castanheira, Brasnorte, Feliz Natal e Araguaiana.

Meio empregado

As armas cortantes ou perfurantes são o principal meio utilizado nos feminicídios registrados em Mato Grosso em 2026. Ao todo, 18 mulheres foram mortas dessa forma.

Outras oito vítimas foram assassinadas com arma de fogo, e seis morreram por estrangulamento ou asfixia.

O levantamento registra ainda dois casos provocados por instrumento contundente, dois por atropelamento e um por espancamento.

Motivações

Entre as motivações identificadas nos casos, o menosprezo ou a discriminação pela condição de mulher aparece em primeiro lugar, associado a 12 feminicídios.

Ciúmes, sentimento de posse ou machismo aparecem em dez casos.

Separação ou tentativa de rompimento estão relacionados a sete casos. Seis casos foram motivados por discussão.

Um caso teve motivação financeira e, em outro, a motivação não foi informada.

Maioria das vítimas não havia denunciado

Dos 37 feminicídios registrados neste ano, apenas nove vítimas tinham boletim de ocorrência contra o autor. Em 28 casos, não havia registro anterior de denúncia.

A situação é semelhante em relação às medidas protetivas. Apenas duas vítimas possuíam medida protetiva quando foram assassinadas, enquanto 35 não tinham esse tipo de proteção.

Os 37 feminicídios já deixaram 55 órfãos em Mato Grosso.

2025 terminou com 54 feminicídios

O cenário de 2026 ocorre depois de um ano que registrou um número elevado de mulheres assassinadas.

Em 2025, 54 mulheres foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso, segundo os dados do Observatório Caliandra. Foi o segundo maior número dos últimos sete anos.

Assim como em 2026, junho foi o mês mais violento daquele ano, com dez feminicídios.

O recorde da série histórica ocorreu em 2020, primeiro ano da pandemia da Covid-19 no Brasil, quando 62 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso.

MP denunciou 15 autores

Dos 37 casos contabilizados pelo Observatório Caliandra, 17 autores foram denunciados pelo Ministério Público. Em seis ocorrências, o autor também foi morto. Em 14 casos, a informação sobre a situação processual não está disponível ou não foi informada.

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

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