DO REPÓRTERMT
Nos dias 17 e 18 de setembro de 2026, às 20h, o Cine Teatro Cuiabá recebe a estreia do espetáculo “Memória, Alice, Realidade, Rosa”, com texto de Flávia Pires e direção de Nariel Iatskiu. A montagem conduz o público por uma narrativa poética sobre memória, identidade, maternidade, pertencimento e saúde emocional.
Alice é uma mulher atravessada pelas lembranças da infância e pela imagem idealizada de sua mãe, Rosa. Em sua tentativa de compreender o passado, ela encontra duas figuras que habitam o seu mundo interior: Memória, que guarda e reorganiza aquilo que foi vivido, e Realidade, que insiste em revelar o que Alice ainda não consegue reconhecer.
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Entre recordações, ausências e afetos, o espetáculo aborda a maneira como as experiências da infância influenciam a percepção do amor e a construção da identidade na vida adulta. A obra também provoca uma reflexão sobre as histórias que contamos a nós mesmos para sobreviver à dor — e sobre o momento em que essas narrativas precisam ser revisitadas para que seja possível seguir em frente.
Para a diretora Nariel Iatskiu, falar sobre saúde emocional também significa reconhecer aquilo que nos atravessa e compreender que algumas feridas não podem ser tratadas pelo silêncio.
“Cuidar da saúde emocional começa quando conseguimos olhar para a nossa própria história com honestidade e acolhimento. Alice nos lembra que não precisamos apagar o passado, mas podemos encontrar novas formas de compreendê-lo, sem permitir que ele determine todo o nosso futuro”, afirma.
A estreia acontece em setembro, mês marcado pela mobilização nacional de valorização da vida e de prevenção ao suicídio. Nesse contexto, o espetáculo amplia o diálogo sobre a importância da escuta, do acolhimento e do acesso ao cuidado em saúde emocional, especialmente diante de sofrimentos que muitas vezes permanecem invisíveis.
Sem apresentar respostas prontas, “Memória, Alice, Realidade, Rosa” propõe uma experiência sensível sobre o desejo de ser amado, a necessidade de pertencimento e a coragem necessária para encarar a própria realidade. A montagem reafirma que pedir ajuda, falar sobre a dor e construir redes de apoio também são formas de cuidado e resistência.
A encenação utiliza elementos do teatro fantástico para materializar o universo interior da protagonista. O palco é dividido entre os espaços de Memória e Realidade, enquanto um gazebo representa simbolicamente a presença de Rosa. Luz, música, figurinos e objetos cênicos constroem uma atmosfera entre o sonho e a lembrança, acompanhando Alice em sua busca por respostas.
Mais do que falar sobre sofrimento, o espetáculo aponta para a possibilidade de reconstrução. Ao reconhecer suas ausências e ressignificar suas memórias, Alice inicia um caminho de retorno a si mesma — lembrando ao público que cuidar da mente é também aprender a se acolher.
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