CELLY SILVA
DA REDAÇÃO
Ao longo de seu decreto de prisão referente à quinta fase da Operação Sodoma, deflagrada na terça-feira (14), pela Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), a juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, revelou aquilo que vinha sendo veementemente negado pela defesa do ex-secretário de Estado Pedro Nadaf: ele firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE).
Em dois momentos de sua decisão, essa informação pôde ser confirmada. Na página 51, momento em que embasa a prisão preventiva do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), a juíza afirma que quando Nadaf estava preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), este foi procurado por Silval, que o teria questionado sobre a intenção de fazer delação.
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Na ocasião, o ex-secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia e ex-chefe da Casa Civil teria sido advertido pelo ex-governador de que não falasse com o MPE antes de discutir o assunto com ele. “Segundo o colaborador Pedro Nadaf, esta afirmação conteve ameaça velada”, registrou a juíza Selma.
Na página 71 do decreto, Selma Arruda novamente se refere a Pedro Nadaf enquanto colaborador, ao relembrar o relato dele sobre quando foi ameaçado de morte pelo ex-chefe de gabinete de Silva, Sílvio César Corrêa Araújo. A abordagem também ocorreu durante o cárcere no CCC.
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Delação negada pela defesa
Desde setembro do ano passado, quando especulações sobre o acordo de delação premiada de Pedro Nadaf começaram a ser ventiladas até mesmo na imprensa nacional, o advogado dele, William Khalil, negava com veemência tal fato.
O advogado afirmava, na época, o que havia eram somente as confissões que seu cliente se dispôs a fazer desde a ação penal referente à primeira fase da Operação Sodoma, além da disposição de bens adquiridos com dinheiro ilícito à Justiça.
Em novembro de 2016, a suposição veio novamente à tona. Dessa vez, com ameaça da defesa de acionar judicialmente os colunistas do jornal O Globo, Lauro Jardim e Guilherme Amado, por divulgarem informações que, segundo o advogado, seriam falsas.
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