MARGARETH BOTELHO
Mas o grande lance da minha ignorância - despertada pelo puxão de orelha de Augusto Cury na mídia que erra e não se rende a uma simples correção -, foi descobrir a existência da Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA). Nada a ver com SPAs, locais voltados ao descanso e relaxamento. Para o estudioso, responsável pela Teoria da Inteligência Multifocal, a síndrome/doença é o famoso mal do século e não a depressão, como garantem outros pesquisadores.
Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 1,4 bilhão de pessoas, 20% da população do planeta, vão desenvolver depressão, a Síndrome do Pensamento Acelerado estaria alcançando 80% de nós, pobres mortais. Portadores da SPA surgem em todas as classes sociais, nas diversas faixas etárias, em intelectuais ou não e até em médicos e pacientes, expõe Cury no primeiro capítulo do livro Ansiedade - Como enfrentar o Mal do Século.
A síndrome teria origem no ritmo intenso da tal da vida moderna e do excesso de informações a que estamos expostos. Overdoses diárias de obrigações, de metas a vencer, de coisas a saber, afetariam severamente nossa saúde emocional. SPA, na opinião de Cury, enterra o prazer de viver e consequentemente a criatividade. Para saber se você possui sintomas da doença, basta responder “sim” a uma das seguintes perguntas: Sofre por antecipação? Acorda cansado? Não tolera trabalhar com pessoas lentas? Tem dores de cabeça ou muscular? Pontuou? Eu também. Mas vamos que vamos!
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Pessoas avaliadas constantemente que não podem se desligar um minuto que seja, são vulneráveis à síndrome. Executivos de empresas, médicos, jornalistas e policiais lideram a lista de exemplos de profissionais suscetíveis a uma crise de SPA. Então né, mineiramente falando, vamos tocar o pé no freio até o carro cantar. Muito além da descoberta da síndrome, o botão de alerta foi acionado por Cury iluminando o fundo desse túnel.
SPA mostra que a velocidade do pensamento atropela o ritmo de construção do conhecimento. Situações que levaríamos anos e anos para assimilar incorporam-se à nossa rotina como avalanches. Emoções e reflexões de uma descoberta acabam reproduzidas em escala industrial. E por engolir sem mastigar, portadores da doença roubam a energia do córtex cerebral que deveria ser usada por vários órgãos do corpo, daí o estado de exaustão ou fadiga física e mental inexplicável.
O vício de devorar informações e robotizar nossas ações nos tornam carrascos de nós mesmos, explica Augusto Cury. E para o próprio bem-estar de todos e, especialmente, das próximas gerações, é preciso adotar um novo estilo de vida. Dosar pensamentos, emoções e trabalho, sem sacrificar mente e corpo pode ser um grande passo para a reconquista da estabilidade mental.
Magistralmente o descobridor da SPA diz no prefácio de seu livro:”O dinheiro compra bajuladores, mas não amigos; compra a cama, mas não o sono; compra pacotes turísticos, mas não a alegria; compra todo e qualquer produto, mas não a liberdade”. E adiante completa:”Você deve escolher se ficará na plateia, assistindo passivamente aos pensamentos produzidos, ou assumirá o papel de diretor do script da sua história”.
MARGARETH BOTELHO é jornalista.














