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Cuiabá, 18 de Julho de 2024
18 de Julho de 2024

09 de Dezembro de 2017, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / UBIRATAN ALVES

Praça Alencastro, a pioneira

Era empregado o nome "Largo" muito apropriadamente



A singular, hoje denominada Praça Alencastro, possui uma longa e bela história, foi palco de um prazeiroso cotidiano, testemunhou memoráveis decisões e célebres comemorações, tanto da cidade como do Estado.

Inicialmente Largo do Palácio, sediou, desde o limiar do século XIX, no ano de 1805, as primeiras touradas, uma das poucas opções de lazer tal como a Festa do Divino, outras de cunho religioso casamentos e batizados.

Era empregado o nome "Largo" muito apropriadamente, pois nesse período era apenas um espaço sem outras benfeitorias. 

A situação começa a evoluir quando o Tenente General Francisco de Paula Magessi de Carvalho, último governante do período colonial, depois 1º Barão de Vila Bela, no primeiro centenário de Cuiabá, já então cidade - 1819, adquiriu por 1.440$000 – um conto quatrocentos e quarenta mil réis - o imóvel do Palácio do Governo.

Tornou-se o centro nervoso das ações políticas da então Capitania de Mato Grosso, polarizando uma destacada vizinhança formada a seu entorno. Gerou algo como um primeiro CPA, ao estilo da época colonial... 

Pelo lado direito, ficava a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional, e no esquerdo, o Quartel do 7º Distrito Militar, onde, posteriormente, funcionou o Telégrafo Nacional.

Em frente, n’outro lado – hoje Rua Pedro Celestino -, ficavam as instalações da Intendência Municipal, depois Prefeitura Municipa,l em imóvel construído em 1810.

Tratava-se de um modesto sobrado, que atravessou duas reformas e ampliações: a primeira, antes da Guerra do Paraguai; a segunda, em 1897. 

Os Alencastros foram três Governadores da Província, sendo interessante discriminá-los O primeiro? Antônio Pedro de Alencastro, foi presidente de setembro 1834 até janeiro de 1836; o segundo? Tenente-Coronel Antônio Pedro de Alencastro inicia em outubro de 1859 se afastou em fevereiro de 1862.

 

 

 

Finalmente, o terceiro... Coronel José Maria Alencastro, de maio de 1881 até março de 1883, este o realizador da obra que leva seu nome, Jardim Alencastro.

Oportuno registrar que o governador sofreu uma grande resistência por realizar a obra, sendo aproveitado o metal das espingardas empregadas na Guerra do Paraguai para a construir o guardil que cercava o novo logradouro.

Lembra o príncipe dos nossos historiadores, Estevão de Mendonça? "Evoco um acontecimento que teve grande projeção na nossa vida social? a inauguração, em 28 de setembro de 1882, do primeiro jardim público que se construiu em Cuiabá. Alcancei ainda o imenso ‘fedegosal’ que tomava conta do largo do Palácio, cortado apenas por dois caminhos transversais." 

Durante a gestão dos Alencastros, em decisões provindas das circundantes hostes palacianas, instalaram a Assembleia Legislativa Provincial em 1834; em 1835, foi criado a célula mater da Polícia Militar - Homens do Mato.

Implantaram em 1882 o primeiro serviço de fornecimento de água, construíram o Quartel da Força Pública ainda em 1882 – 1º Batalhão Queiroz, e transferiram a capital de Vila Bela da Santíssima Trindade para Cuiabá em 1885. 

Durante a gestão Intendente Municipal – Prefeito, Coronel Avelino Antônio de Siqueira em 1903 -, o Jardim recebeu um chafariz e coreto, vindos de Hamburgo - Alemanha, atrações que propiciaram enorme salto.

Pouco mais tarde, no ano de 1909, foi inaugurada nova iluminação à base de gás acetileno, que representou outro avanço considerável. Substituiu o método anterior, que utilizava óleo de lambari, sendo construído para abastecimento até um gasômetro, próximo da Joaquim Murtinho com Getúlio Vargas.

Este sistema operou até o ano de 1926. Nessa mesma esquina, mais tarde, em 1939, iniciaram as obras para a construção da agência do Banco do Brasil. 

Os aspectos botânicos bem o caracterizavam como um jardim... Recebeu ainda um caramanchão coberto por uma trepadeira denominada "pingos de amor", além de possuir flores de inúmeras e coloridas espécies enfeitavando seus canteiros.

As palmeiras imperiais criteriosamente distribuídas foram plantadas pelo Barão de Diamantino, depois contempladas nos versos do poeta Dom Aquino Corrêa, e a grama muito bem tratada!!!

As retretas iniciaram com a posse do Coronel Antônio Paes de Barros – Totó Paes, em 15 de agosto de 1903.

Inicialmente executadas pela Banda da Polícia, tornando-se depois rotineira as execuções todas quintas-feiras e domingos. A este hábito incorporaram as tocatas do Mestre Inácio e a Banda do 16º Batalhão de Caçadores.

Neste momento, o Alencastro já desfruta de vida própria e ao redor florescia também o comércio, ao lado da Prefeitura, em 1894, surgira o Hotel Pinho, o Café Sargentini e a Confeitaria Progresso.

Surge ainda, em 29 de junho de 1920, o emblemático Bar Moderno, do Sr. Olinto Neves, o popular "Bar do Bugre", frequentado por eruditos e populares, onde bebiam a bem dgelaaada cerveja preta.

O transporte também colaborou, ao surgirem as jardineiras, fazendo uma linha regular até o Porto. 

O prefeito Vicente Emílio Vuolo, em 11 de julho de 1965, inaugura uma nova Fonte Luminosa e Sonora, o coreto na posse do Governador Pedro Pedrossian, em 31 de janeiro de 1966. Com o passar do tempo, o bucólico Jardim d’outrora se perdeu, sendo mais próprio o termo praça.

Por último, o homem do paletó furado inaugura uma obra inacabada e depena as últimas árvores! 

UBIRATÃ NASCENTES ALVES é membro da Academia Mato-grossense de Letras (AML) - cadeira nº 1.
[email protected] 

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