Cuiabá, 02 de Julho de 2022
logo

Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011, 21h:29 - A | A

GABRIEL NOVIS NEVES

"O Brasil Caloteiro"

GABRIEL NOVIS NEVES

Tenho escrito muito sobre a Copa, não por implicância, mas pela forma como ela está sendo vendida ao povo brasileiro, especialmente para aquele das cidades sedes. O tempo está passando e a verdade aparecendo. A FIFA está tratando o Brasil como país caloteiro.

 

O governo anterior tinha concordado com as leis impostas pela FIFA para que pudéssemos sediar um campeonato mundial de futebol. Mudou o governo e o atual não concorda com o que tinha sido combinado. Estabeleceu-se, portanto, um impasse entre o Brasil e a FIFA – e um péssimo clima entre os dois foi formado.

 

Os dirigentes máximos do futebol mundial mal falam com as autoridades brasileiras, e com a crise do militar na garagem do ministério, com o ainda ministro de esportes, foi a gota d’água para o copo cheio de mágoas derramar.

 

Da Suíça, um dos diretores da FIFA não aceita mais conversar com os dirigentes esportivos brasileiros, e o Congresso Nacional tem prazo para votar emendas de exceção para beneficiar os donos do campeonato (FIFA).  A administração atual do Brasil, na verdade, não está nem um pouco motivada a gastar bilhões de reais em uma festa de retorno duvidoso.  Existem outras prioridades, como bem mostrou recentemente o jatinho do Jornal Nacional em Cuiabá.
 

Cada partida de futebol que for realizada aqui, onde não existem leitos hospitalares, o contribuinte pagará quase 200 milhões de reais.  O tal do legado de obras, tão falado para jogar mel no pagador de impostos, ainda não saiu do papel além de não ser exigência da FIFA.


O projeto de mobilidade urbana, verdadeira nuvem nos olhos do trabalhador, já foi mudado, derrubou uma autarquia com mais de 200 cargos comissionados, e foi substituída por uma secretaria diferenciada. Dizem que o acerto trabalhista dos servidores, especialmente os possuidores de mandatos, é várias vezes superiores aos recursos que o governo federal até agora mandou.
 

De obra concreta, ficaremos somente com o legado de um enorme elefante branco, totalmente construído e equipado com recursos do tesouro estadual. A parceria com os empresários não vingou, e o Estado sabia perfeitamente que o governo federal não iria mandar um vintém para construir campos de futebol padrão FIFA. Como não existe futebol profissional por aqui, dizem que o governo do Estado já estuda várias propostas para alugar o espaço da Arena Pantanal para uma Igreja Evangélica. Menos mal.
 

Esqueçam os viadutos, rotatórias, ampliação e modernização do local onde descem os aviões comerciais - que não dá de chamar de aeroporto. Ganhos sociais, nenhum, mas sim, uma enorme publicidade negativa mundial feita pelo jatinho do JN.  Mister Joseph Blatter está preocupado com o possível calote em marcha contra a FIFA. Não me conformo com esse exemplo que o Brasil ensaia aplicar, sabendo as regras do jogo. Será que o ex-presidente quando concordou com as exigências da FIFA, além de estimulado pelos governadores da época, estava muito alegre?
 

Dona Dilma tem que aguentar. Cumprir o acordo assumido pelo seu antecessor e padrinho político, para não deixar mal o seu tutor e a própria nação brasileira.  Aos moradores de Cuiabá, aquele abraço...

 

>>> Siga a gente no Twitter e fique bem informado

Comente esta notícia