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06 de Novembro de 2026

06 de Novembro de 2026, 11h:00 - A | A

OPINIÃO / MIKE MALUF

Cuiabá tem potencial para crescer, falta transformar oportunidades em desenvolvimento

Reprodução

Mike Maluf é empresário.

Mike Maluf é empresário.

MIKE MALUF



Por Mike Maluf, empresário

Cuiabá tem mercado, localização estratégica e uma economia que movimenta diferentes setores. É uma cidade com capacidade para atrair investimentos, gerar empregos e ampliar oportunidades. Mas O potencial econômico, sozinho, não garante desenvolvimento. É preciso criar condições para quem deseja empreender, investir e produzir.

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Os números mostram que a capital está em movimento. Apesar de ter registrado o fechamento de 5.067 empresas, no primeiro trimestre de 2026, Cuiabá registrou a abertura de 8.551 empresas, crescimento de 22,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Junta Comercial de Mato Grosso. O município liderou a abertura de novos negócios no Estado.

Esse resultado demonstra que existe disposição para empreender. Mas também precisamos olhar para o outro lado: abrir uma empresa é apenas o primeiro passo. Mantê-la funcionando, crescer, contratar funcionários e continuar investindo exige planejamento, crédito, estabilidade e, principalmente, um ambiente de negócios que não transforme cada decisão em uma corrida de obstáculos.

Falo como empresário da construção civil, um setor que conhece de perto os efeitos das decisões públicas sobre a economia. Uma obra movimenta uma cadeia inteira: engenheiros, arquitetos, trabalhadores, fornecedores, transportadores, comerciantes e prestadores de serviços. Quando a construção cresce, outros setores também avançam. Quando o investimento trava, os impactos se espalham.

Por isso, Cuiabá precisa tratar o desenvolvimento econômico como uma prioridade permanente, e não apenas como discurso. Isso começa pela desburocratização. Licenças, alvarás e processos administrativos precisam ter prazos claros, regras estáveis e procedimentos eficientes e céleres. O empresário não pode ficar meses esperando uma resposta do poder público sem saber quando poderá iniciar um projeto.

Outro ponto fundamental é a segurança jurídica. Investir exige confiança. Quem coloca recursos em um empreendimento precisa saber quais regras serão aplicadas, quais contrapartidas serão exigidas e se as decisões administrativas terão continuidade. Mudanças repentinas, interpretações contraditórias e excesso de exigências afastam investimentos e encarecem os projetos.

Também não existe crescimento sustentável sem planejamento urbano. Cuiabá precisa preparar sua infraestrutura para acompanhar a expansão da cidade. Mobilidade, saneamento, energia, drenagem, pavimentação e organização territorial não são assuntos separados da economia. São condições para que novos empreendimentos sejam viáveis e para que a população tenha qualidade de vida.

O poder público tem um papel importante nesse processo, mas não precisa fazer tudo sozinho. Precisa estabelecer regras, fiscalizar, planejar e criar um ambiente favorável à parceria com a iniciativa privada. Governo e empresários não devem ser adversários. Quando trabalham com responsabilidade e objetivos comuns, quem ganha é a cidade.

Outro desafio é preparar a mão de obra. A expansão dos negócios depende de profissionais qualificados. Precisamos aproximar empresas, instituições de ensino e poder público para ampliar a formação técnica e profissional, especialmente em áreas que apresentam demanda crescente.

Cuiabá já demonstra força empreendedora. O desafio agora é transformar essa capacidade em desenvolvimento duradouro, com mais empresas consolidadas, empregos de qualidade e oportunidades para quem quer construir seu futuro aqui.

Empreender não é esperar que todas as condições sejam perfeitas. É assumir riscos, identificar oportunidades e trabalhar para fazer acontecer. Mas também é legítimo cobrar do poder público condições mínimas para que esse esforço produza resultados.

Tenho convicção de que Cuiabá pode avançar muito mais. Para isso, precisamos de menos obstáculos para quem produz, mais planejamento, responsabilidade na gestão pública e compromisso com o futuro.

Uma cidade que valoriza quem empreende não está beneficiando apenas os empresários. Está criando oportunidades aumentando a geração de emprego, movimentando a economia e melhorando a vida de toda a população.

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