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05 de Novembro de 2026, 15h:41 - A | A

POLÍCIA / CONTRABANDO DO PARAGUAI

Major da PM preso com Mounjaro estava em carro dirigido por aliado de líder de facção 

Mário Henrique Tavito da Silva já cumpria medidas cautelares. Juiz federal mandou comunicar o flagrante à 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Montagem/RepórterMT

PRF encontrou medicamentos sem registro na Anvisa e outros produtos estrangeiros no veículo.

PRF encontrou medicamentos sem registro na Anvisa e outros produtos estrangeiros no veículo.

VINÍCIUS ANTÔNIO
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



O major da Polícia Militar Pedro Henrique Silva Garcia, preso em flagrante por contrabando de Mounjaro e anabolizantes na terça-feira (3), em Cuiabá, voltava do Paraguai em um carro dirigido por Mário Henrique Tavito da Silva. O motorista foi denunciado na Operação Apito Final, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho e teve como principal alvo Paulo Witer Farias Paelo, o WT.

A decisão da Justiça Federal identifica os três ocupantes do carro abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

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“Consta dos autos que, em 03/11/2026, por volta das 06h45, no km 387 da BR-364, em Cuiabá/MT, equipe da Polícia Rodoviária Federal abordou o veículo […] conduzido por MARIO HENRIQUE TAVITO DA SILVA e tendo como passageiros FELIPE ALIFER LEOCADIO DA ROSA e PEDRO HENRIQUE SILVA GARCIA, que retornavam do Paraguai.”

Por que Mário foi denunciado

Uma decisão da Justiça estadual anexada ao processo federal detalha as suspeitas contra Mário com base nas apurações da Polícia Civil.

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“Narra a autoridade policial que MÁRIO HENRIQUE é titular de três pessoas jurídicas, sem funcionários cadastrados, e as utiliza na lavagem de capitais em benefício da organização criminosa. Conforme o Relatório Técnico n.º 2023.5.285470, o representado movimentou elevada quantia com alvos da presente investigação.”

Reprodução

Mário Henrique

Denunciado na Apito Final, Mário Henrique Tavito da Silva dirigia o carro abordado pela PRF.

A tabela reproduzida na decisão reúne R$ 241.083,64 em créditos e débitos entre Mário e outros investigados, de 2020 a 2022. Entre as movimentações, consta um crédito de R$ 5.000,10 associado a Fagner Farias Paelo, irmão de WT.

“Consta dos autos que FAGNER vulgo ‘Faguinho ou Vaguinho’ é irmão e pessoa de confiança de Paulo Witer, sendo também responsável pela ocultação do patrimônio em benefício da organização criminosa.”

Versões sobre as compras

Na abordagem, os três ocupantes disseram que compraram perfumes e medicamentos no Paraguai para uso pessoal. Depois que a PRF encontrou medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e outros produtos estrangeiros no carro, Felipe afirmou que toda a mercadoria era dele e que Mário e o major apenas o acompanhavam.

Na Polícia Federal, Felipe mudou a versão. Segundo o termo de interrogatório, ele “retificou essa informação, afirmando que cada um dos ocupantes realizou suas próprias compras”. Questionado sobre as canetas emagrecedoras apreendidas, “respondeu que não as trouxe”. Mário e o major exerceram o direito de permanecer em silêncio.

Fiança de R$ 5 mil

Mário já cumpria medidas cautelares na Apito Final, entre elas o comparecimento mensal à Justiça. O Ministério Público Federal (MPF) pediu que a 7ª Vara Criminal de Cuiabá fosse comunicada sobre o flagrante. O juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré acolheu o pedido.

“Portanto, defiro o pedido do MPF de id 2300698084 e determino, com urgência, a comunicação da prisão em flagrante do investigado MÁRIO HENRIQUE TAVITO DA SILVA à 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá/MT, para fins de instrução dos autos 1000695-85.2024.8.11.0042 e providências que julgar cabíveis.”

O juiz concedeu liberdade provisória aos três mediante fiança individual de R$ 5 mil. Caso o major não pagasse a fiança imediatamente, ele deveria ficar sob custódia no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) até o pagamento.

Quem é WT

Paulo Witer Farias Paelo, o WT, é apontado pela Polícia Civil como um dos líderes da facção em Cuiabá. Segundo os investigadores, ele chegou ao posto de tesoureiro-geral do grupo em Mato Grosso, cuidava das finanças da organização e coordenava o tráfico de drogas em bairros como Morada da Serra e Jardim Florianópolis.

Reprodução

Paulo Witer

Paulo Witer Farias Paelo foi o principal alvo da Operação Apito Final.

Na decisão mais recente, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, recebeu denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra WT e outras nove pessoas, entre elas a mulher dele, Thawany Nunes Silva de Bulhões. Os dez passaram a responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia atribui a WT três episódios de lavagem.

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O juiz considerou que havia indícios suficientes para abrir a ação penal e deu cinco dias para a polícia entregar os relatórios e as mídias da investigação, incluindo o material extraído de celulares.

Em março de 2023, quando estava preso, WT teria mantido drogas na própria cela para venda e distribuição dentro da penitenciária. Durante uma busca, a polícia apreendeu porções de maconha e celulares. A perícia nos aparelhos ajudou a identificar suspeitos que, fora da prisão, davam suporte ao esquema. WT progrediu para o regime semiaberto em dezembro daquele ano e, posteriormente, foi preso em um torneio de futebol em Maceió (AL).

Segundo a Polícia Civil, o esquema de lavagem de dinheiro do tráfico investigado pela Apito Final movimentou R$ 65 milhões. A investigação atribui a WT o uso de imóveis de alto padrão, carros de luxo e comércios registrados em nome de terceiros para ocultar a origem dos recursos. O time de futebol amador Amigos WT também teria sido usado para encobrir as atividades do grupo.

Um dos negócios investigados foi o Supermercado Alice, no bairro Figueirinha, em Várzea Grande. Segundo a Polícia Civil, o estabelecimento teria sido usado para lavar R$ 17 milhões em dois anos. A empresa tinha como sócia-administradora Maria Aparecida Coluna Almeida, sogra de WT. Em 2021, Fagner Farias Paelo, irmão de WT e citado na tabela de movimentações financeiras de Mário, passou a administrar o supermercado e depois comprou o negócio.

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