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07 de Fevereiro de 2018, 07h:55 - A | A

OPINIÃO / ONOFRE RIBEIRO

Crises nos poderes

Há mais em jogo do que reclamações e atrasos. Há muitas mágoas no meio dessa discussão

Divulgação

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso



A semana passada terminou com o cheiro da fumaça dos incêndios nos poderes Judiciário e Legislativo versus o Poder Executivo. Motivo: repasses de duodécimos em atraso.

Há mais em jogo do que reclamações e atrasos. Há muitas mágoas no meio dessa discussão. Vamos aos fatos.        

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O Tribunal de Justiça movimentou o sindicato dos seus servidores pra entrar com pedido de bloqueio de  R$ 250 milhões dos cofres estaduais e garantir repasses atrasados de duodécimos do Poder Judiciário.

O presidente do Tribunal de Justiça, Rui Ramos, exigiu do governador Pedro Taques o pagamento em 48 horas, contando a partir do dia 31.  Juntos, o sindicato classista e o TJ deram duro recado ao governo: estão dispostos ao confronto.        

Porém, a cultura interna do Poder Judiciário não é de confronto. Está sendo interpretado que uma divisão interna entre desembargadores criou uma frente a favor e outra contra o confronto.

Logo, o final da ópera é sentarem-se com o governador e negociarem de novo os calendários de repasses. O TJ perdeu o espírito de corpo. Perda de poder.

Já a Assembleia Legislativa deu recado muito semelhante. Estranha-se que o portador do recado tenha sido o presidente Eduardo Botelho, aliado da primeira hora do governador Pedro Taques e do seu governo.

A Casa vem choramingando há semanas o atraso dos seus repasses. No fundo, também existe um outro pano de fundo: a  pressão dos deputados estaduais pela liberação das suas emendas parlamentares.

Bom lembrar que a pobreza legislativa da Casa obriga os parlamentares se agarrem nas emendas como a fonte de sua sobrevivência. 

Aqui de novo se registra o espírito do corpo motivado pelos interesses individuais dos deputados mascarados em aparente civismo.          

Do ponto de vista da sociedade mato-grossense, o imbróglio todo se resume a duas coisas que pouco respeito lhe diz: politicagens ou corporativismo.

Nesse caso, a sociedade não guarda nenhuma simpatia pelos dois poderes nas suas reivindicações

A distância entre eles o cidadão é enorme. No imaginário popular não passam de siglas perdidas no mar da burocracia.        

No meio do caos, ainda resta o governador Pedro Taques, que atribui à crise econômica e fiscal os atrasos nos duodécimos.

Põe-se como vítima do contexto. Seus prejuízos políticos em ano eleitoral, por conta dos atrasos parece que não chegarão ao eleitor.        

Na sexta-feira, participei de uma reunião de empresários que traduziram numa linguagem objetiva seu desinteresse com toda essa questão: “isso é briga palaciana. Não vai a lugar nenhum”.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br 

www.onofreribeiro.com.br

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